Botox no controle da enxaqueca: especialista esclarece dúvidas sobre tratamento de Virginia
Aprovado pela Anvisa, o protocolo tem se tornado aliado no controle de crises de dor de cabeça

Na última segunda-feira (16/3), Virginia Fonseca mostrou parte do protocolo de seu tratamento para controle de enxaqueca. A influenciadora contou que atrasou um mês para o procedimento, que deve ser feito a cada três meses, e que voltou a sentir dores de cabeça. A loira utiliza o botox no controle das crises de enxaqueca e, embora os resultados sejam cientificamente comprovados, o tratamento gera dúvidas entre quem sofre com a doença. O portal LeoDias conversou com uma neurologista especialista para saber mais do assunto!
No Brasil, há cerca de 30 milhões de pessoas com enxaqueca, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A neurologista Thais Villa, médica especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, há mais de 20 anos atuando em pesquisas e atendimentos a pacientes com a doença, explicou como funciona o protocolo.
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O uso da toxina botulínica é seguro?
“É um procedimento muito seguro que, com a técnica adequada, praticamente não tem nenhum efeito colateral. Tão seguro que é indicado para gestantes, que estão liberadas para seguir o tratamento da enxaqueca com Botox”, afirmou a especialista.
Quais os principais efeitos colaterais?
“No máximo, o paciente sente a sensibilidade das agulhas. Ele pode sentir uma dor local aguda que resolve na hora ou no dia seguinte. A utilização da toxina botulínica no controle da enxaqueca traz menos efeitos colaterais indesejáveis em comparação à medicação via oral, como sonolência e ganho de peso, por exemplo”, disse a neurologista, que explicou ainda se tratar do mesmo produto usado para fins estéticos, mas em formas de aplicação, local e quantidades diferentes.
Como a toxina botulínica age no tratamento da enxaqueca?
De acordo com Thais Villa, a toxina botulínica é injetada nos nervos da cabeça. “No paciente com enxaqueca, esses nervos estão inflamados e liberando várias substâncias que estimulam a dor e fazem as crises acontecerem. O Botox acessa esses nervos, bloqueando a liberação das substâncias químicas que transmitem sinais de dor e inflamação pelos nervos, inibindo a liberação desses neurotransmissores e reduzindo a excitabilidade do cérebro”, explicou.
Quanto ao tratamento para a enxaqueca, a duração mínima é de dois anos. Os ciclos de aplicação da toxina botulínica são realizados a cada três meses. O paciente realiza, no mínimo, de oito a nove ciclos de tratamento em um período de dois anos. Se necessário, o paciente deve dar continuidade, com a mesma periodicidade trimestral, ou então pode ser espaçado, a depender da sua evolução.
Segundo a médica, é possível ver os primeiros resultados após três meses do primeiro ciclo de tratamento. Se o paciente seguir corretamente todas as orientações do tratamento integrado, tirar medicamentos de crises, eliminar alimentos estimulantes, seguir todo o protocolo, a toxina botulínica começa a agir em 15 dias. “Ao final de três meses, o paciente tende já estar melhor do que quando iniciou o tratamento”, garantiu.
A respeito de possíveis complicações, a doutora reforçou: “Complicações de longo prazo não estão descritas. Se o procedimento for realizado com indicação e técnica adequadas não existe nenhuma complicação do uso, mesmo a longo prazo. O Botox é uma medicação utilizada há mais de 30 anos para várias doenças e não existe descrição de complicações”.
O tratamento também ameniza os sintomas mais severos da doença, como as auras visuais. “Além da dor, o Botox trata sintomas da enxaqueca, como as auras e tonturas (inclusive com estudos relacionados à enxaqueca). Também existem estudos mostrando melhora de sintomas ansiosos e depressivos. O Botox faz parte do tratamento da doença enxaqueca, não somente um tratamento para dor, mas claro, irá melhorar a dor de cabeça também”, explicou a neurologista.
No entanto, apenas as injeções de toxina botulínica não são o suficiente para controlar a doença, sendo necessário um conjunto de ações. “Apenas as injeções não são suficientes para controlar a doença. Elas fazem parte importante do tratamento, mas existem muitos pacientes que já fizeram Botox e bloqueio anestésico, mas não tiveram resultado porque depende de todo o manejo especializado e multidisciplinar da doença. Tudo isso junto com o Botox, sim, garante um melhor sucesso, uma melhor resposta”, explicou.
Cuidados após as aplicações
O paciente deve ter o cuidado de não esfregar os pontos onde é aplicada a toxina botulínica e não lavar os cabelos logo em seguida para que dê tempo de o produto ser absorvido pelos nervos. O restante, é vida normal.
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Fonte: Portal Leo Dias





