BRAV3 cai: Petrobras exerce preferência na compra de ativo e frustra plano da Brava

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A Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou nesta segunda-feira (16) o exercício do direito de preferência para adquirir da Petronas uma participação de 50% nos campos Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III. Após a transação, a estatal deterá 100% de participação nos ativos. A transação reverte o acordo previamente anunciado pela Brava (BRAV3), que havia comunicado a compra em janeiro, condicionada à não manifestação da estatal. Assim, nesta terça-feira (17), enquanto as ações PN da Petrobras subiram um pouco menos de 2%, na casa dos R$ 46, BRAV3 fechou em queda de 3,33%, a R$ 18,02.

A XP Investimentos considera o anúncio negativo para a Brava, uma vez que a transação apresentava potencial para criação significativa de valor. Segundo cálculos da corretora, o ativo poderia gerar um valor presente líquido (VPL) de cerca de US$ 250 a 470 milhões com o Brent entre US$ 60 e 70 por barril (equivalente a cerca de 15 a 28% do valor de mercado da Brava).

O Bradesco BBI também avalia a notícia como negativa para a Brava, já que o exercício do direito de preferência pela Petrobras se sobrepõe ao acordo que poderia destravar valor para a companhia.

Viva do lucro de grandes empresas

O banco destaca que não incorporava Tartaruga Verde no preço-alvo de R$ 24 por ação para o fim de 2026, mantendo a estimativa inalterada. Ainda assim, a operação poderia adicionar cerca de R$ 6 por ação caso fosse concluída.

Sem o acordo, a expectativa agora é de alavancagem maior, em torno de 1,75 vez até 2026, considerando o Brent a US$ 80 por barril e imposto de exportação de 12%, ante 1,4 vez no cenário anterior.

Também na avaliação do Goldman Sachs, o impacto é negativo para a Brava, já que a transação poderia gerar criação de valor, considerando um múltiplo implícito EV/Ebitda (Valor da Firma sobre lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de cerca de 2 vezes, abaixo das cerca de 4 vezes da Petrobras. Além disso, o ativo poderia adicionar aproximadamente 28 mil barris de óleo equivalente por dia à produção de 2026 da Brava, estimada em cerca de 88 mil barris por dia sem o negócio, reforçando ganhos de escala.

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Embora o impacto seja pouco relevante para a Petrobras, o JPMorgan avaliou que o anúncio poderia gerar reação negativa nas ações da Brava, já que havia expectativa de avanço do negócio em termos favoráveis para a companhia. Ainda assim, o banco destaca que a Brava deve seguir ativa na revisão de sua alocação de capital.

Impacto para Petrobras

Por outro lado, na visão da XP, embora seja positivo em termos de geração de valor, o tamanho da transação não é significativo para a Petrobras, cerca de 0,2% a 0,5% do valor de mercado da estatal.

Na mesma linha que XP, o Goldman Sachs destaca que o impacto da operação é limitado diante do porte da estatal brasileira. A produção média estimada para 2026 é de cerca de 3,2 milhões de barris de óleo equivalente por dia, e o valor da transação representa menos de 1% do valor de mercado da companhia.

Já o Bradesco BBI acredita que, nos termos propostos, a transação será altamente vantajosa para a Petrobras, especialmente considerando a recente valorização dos preços do petróleo, que deve contribuir para que o desembolso final em caixa se aproxime de US$ 120 milhões, em comparação com os US$ 350 milhões anunciados e a estimativa de US$ 180 milhões quando o acordo foi anunciado inicialmente pela Brava.

O banco prevê que o VPL por ação para a Petrobras, assumindo um preço do Brent de longo prazo de US$ 65 por ação, seja de US$ 0,08/ADR (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) ou R$ 0,85/ação. Consequentemente, o BBI espera que o desembolso em caixa associado ao negócio seja de apenas US$ 220 milhões, com retorno do investimento provavelmente alcançado em um ano.

Além disso, o BBI estima que o acordo adicione 28 mil barris por dia à produção de petróleo da Petrobras quando for concluído, visto que a produção atual do ativo é de 56 mil barris por dia.

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Recomendações

O Goldman Sachs manteve recomendação de compra para a Petrobras, com preço-alvo em 12 meses baseado em múltiplo EV/Ebitda projetado de 3,5 vezes. As estimativas do banco são de R$ 39,20 para PETR3, R$ 36,60 para PETR4, US$ 15,00 para PBR e US$ 14,00 para PBR_A. Já o BBI manteve recomendação neutra para Petrobras.

Para a Brava Energia, o Goldman Sachs reiterou recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 15, enquanto JPMorgan manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23.

Fonte: InfoMoney

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