Família de Eliza Samúdio cobra prisão de Bruno e dispara: “Feminicida desfila impune”

Família de Eliza Samúdio cobra prisão de Bruno e dispara: “Feminicida desfila impune”

Bruno é considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro, após descumprir condições estabelecidas para manter o benefício do livramento condicional

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          Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samúdio, e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho, divulgaram nesta terça-feira (17/3) uma carta aberta na qual cobram providências contra o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pela morte da jovem e atualmente considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro.

          Na manifestação, as autoras pedem que a Vara de Execução Penal apure, entre outros pontos, deslocamentos realizados pelo ex-atleta nos últimos anos. Elas também solicitam que o “Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado de exigências da Lei de Execução Penal”.

          Veja as fotos

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          Polícia divulga cartaz de procurado do goleiro BrunoReprodução
          Foto:Gilson Melo/Agencia Enquadrar/Agencia O Globo
          Goleiro Bruno durante aquecimento antes de estrear pela Vasco-AC na Copa do BrasilFoto:Gilson Melo/Agencia Enquadrar/Agencia O Globo
          Goleiro Bruno foi ao Maracanã em jogo do Flamengo contra o Internacional / Reprodução
          Goleiro Bruno foi ao Maracanã em jogo do Flamengo contra o Internacional / Reprodução
          Goleiro Bruno foi ao Maracanã em jogo do Flamengo contra o Internacional / Reprodução
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          Reprodução/@oficialbrunogoleiro
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          Reprodução/Divulgação Instagram @oficialbrunogoleiro
          Avó de Bruninho reage após goleiro Bruno desmarcar encontroReprodução/Divulgação Instagram @oficialbrunogoleiro
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          O goleiro Bruno, pai de Bruninho SamúdioCrédito: Reprodução Instagram @oficialbrunogoleiro
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          O goleiro Bruno, pai de Bruninho SamúdioCrédito: Reprodução Instagram @oficialbrunogoleiro
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          O goleiro Bruno, pai de Bruninho SamúdioCrédito: Reprodução Instagram @oficialbrunogoleiro
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          O ex-atleta falou sobre o tema com a advogada que o representou.Reprodução/Instagram
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          O Globo
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          “Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada”, afirmam no texto.

          O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou que Bruno é considerado foragido após descumprir condições estabelecidas para manter o benefício do livramento condicional. Diante disso, a Vara de Execuções Penais determinou a revogação da medida e expediu mandado de prisão.

          “O goleiro Bruno não se apresentou diante da revogação. A defesa do goleiro entrou com recurso e a VEP encaminhou para manifestação do MP. Enquanto, não houver outra decisão em relação à revogação do livramento condicional , o goleiro Bruno será considerado foragido.”

          Na carta, Sônia e Maria do Carmo relatam sofrimento contínuo, indignação e sensação de impunidade. Segundo elas, o sistema judicial tem falhado ao não assegurar que a pena seja efetivamente cumprida.

          Histórico de descumprimentos

          Condenado em 2013 a mais de duas décadas de prisão por crimes como feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver, Bruno, conforme relatam, vem desrespeitando regras impostas pela Justiça há anos.

          De acordo com o documento, desde 2023 ele não vinha sendo localizado para cumprir obrigações do regime, como manter endereço atualizado e assinar termos exigidos. Ainda assim, segundo as familiares, não houve reação imediata das autoridades.

          Elas também mencionam viagens feitas para estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Acre, mesmo com limitações judiciais em vigor.

          Viagem ao Acre gera indignação

          Um dos episódios que mais revoltou a família foi a ida do ex-goleiro ao Acre, em fevereiro deste ano. Conforme descrito na carta, ele participou de um jogo pelo Vasco-AC sem autorização judicial.

          Pelas regras do regime, ele não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro.

          Para as familiares, a situação representa uma “afronta”, especialmente porque o corpo de Eliza nunca foi encontrado, impedindo até hoje a realização de um enterro.

          Luto sem respostas

          No documento, mãe e madrinha destacam o contraste entre a exposição pública de Bruno e o sofrimento da família, que ainda enfrenta o luto sem desfecho.

          Elas também criticam o fato de o ex-jogador ter negado por anos a paternidade do filho e, segundo afirmam, não contribuir financeiramente para sua criação há cerca de quatro anos.

          Apelo às autoridades

          A carta inclui uma cobrança direta aos poderes públicos. Entre os pedidos apresentados estão: apuração de viagens realizadas sem autorização; atuação mais firme do Ministério Público; cumprimento integral da pena; responsabilização por violações das regras impostas.

          As autoras ressaltam que não buscam vingança, mas justiça, e afirmam que seguirão denunciando o caso.

          Buscas por informações

          O Disque Denúncia também divulgou comunicado solicitando informações sobre o paradeiro de Bruno.

          Segundo o Tribunal de Justiça, o mandado de prisão foi expedido em 5 de março, após a constatação de descumprimento das شروط do livramento condicional.

          Ainda conforme a Corte, o ex-goleiro não se apresentou para retornar ao regime semiaberto.

          Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão por crimes ligados à morte de Eliza Samúdio, caso de grande repercussão nacional que permanece sem a localização do corpo da vítima.

          Leia a carta na íntegra

          “CARTA ABERTA ÀS AUTORIDADES

          Excelentíssimas Autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário,

          À sociedade brasileira,

          À imprensa

          Nós, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de seu filho Bruninho, dirigimos -nos a Vossas Excelências e ao povo brasileiro com o coração pesaroso, mas ainda firme na luta por justiça.

          Escrevemos esta carta em um momento em que a dor, a angústia e a indignação parecem ter se naturalizado em nossas vidas.

          Escrevemos porque o silêncio não é uma opção. Escrevemos porque o sistema judiciário, que deveria proteger e garantir o cumprimento das leis, tem falhado reiteradamente conosco — e, por extensão, com toda a sociedade.

          O CASO

          Bruno Fernandes, condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão pelos crimes de feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver contra Eliza Samudio, encontra-se foragido. Apesar de decisão judicial que determinou sua prisão, ele segue em liberdade — uma liberdade que, como provam os fatos, nunca lhe foi totalmente cerceada.

          Desde 2023, Bruno não era localizado para assinar o Termo de Compromisso do Livramento Condicional. A Vara de Execução Penal levou três anos para tomar qualquer providência.

          Enquanto isso, além de ir assistir ao jogo no Maracanã a noite como se livre fosse, ele viajava livremente: para o Espírito Santo (01), para Minas Gerais (08) e para o Acre (01) — sempre com a complacência de um sistema que parece incapaz de monitorar quem deveria estar sob regime semiaberto.

          O DEBOCHE À JUSTIÇA

          No dia 15 de fevereiro de 2026, apenas cinco dias após oficializar sua progressão de regime, Bruno viajou sem autorização judicial para o estado do Acre, onde participou de uma partida de futebol pelo time Vasco-AC, no Campeonato Brasileiro. Acompanhada e divulgada nas redes sociais não apenas pela indignação da contratação do Goleiro Bruno, mas também pela afronta de uma homenagem a jogadores presos sob suspeita de estupro coletivo.

          A cena é estarrecedora: enquanto um feminicida condenado desfila impune, a mãe de sua vítima nunca pôde enterrar a filha, e o filho órfão nunca teve acesso aos restos mortais da própria mãe.

          A AFRONTA ÀS VÍTIMAS

          Enquanto Bruno desfruta de privilégios incompatíveis com sua condição de apenado, nós, familiares de Eliza, somos sistematicamente atacados. Somos cobrados, silenciados, invisibilizados. Enquanto ele recebe autógrafos e holofotes, nós seguimos tentando sobreviver ao luto sem corpo, à dor sem reparação, à ausência sem justiça.

          Bruno recusou-se por duas vezes a realizar exame de DNA, negando a paternidade por anos. Pagou pensão apenas uma vez, – 2 anos acumulados — o suficiente para evitar a prisão. Há quase quatro anos, não contribui com um centavo para a criação do próprio filho. E, ainda assim, o Estado não o notificou? Não o localizou? Não agiu? Como um apenado não é encontrado pela justiça se é obrigado ter seu endereço atualizado?

          A PERGUNTA QUE NÃO SE CALA

          Quantas mulheres precisarão morrer ou serem espancadas, mutiladas para que o sistema judiciário leve a sério o cumprimento das penas de criminosos e feminicidas?

          Quantas famílias precisarão clamar por justiça para que a Vara de Execução Penal cumpra seu papel com eficiência, eficácia e efetividade?

          Quantos Brunos Fernandes precisarão rir da lei, em praça pública, para que o Judiciário reaja com a devida gravidade?

          NOSSO PEDIDO

          Não pedimos vingança. Pedimos justiça. Pedimos o cumprimento integral da lei. Pedimos que a Vara de Execução Penal investigue todas as viagens não autorizadas realizadas por Bruno Fernandes nos últimos anos. Pedimos que o Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado das exigências da Lei de Execução Penal. Pedimos que o Poder Judiciário e a Vara de Execução Penal garanta que a pena imposta seja, de fato, cumprida.

          Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada.

          NOSSO COMPROMISSO

          Seguiremos firmes. Seguiremos denunciando. Seguiremos ocupando o lugar que nos foi negado: o de vítimas que exigem respeito, que exigem justiça, que exigem memória.

          Não nos calaremos. Não desistiremos. E enquanto houver fôlego, lutaremos para que o nome de Eliza Samudio não seja apenas lembrado como mais uma vítima, mas como símbolo da luta por um país onde feminicidas não sejam tratados como celebridades.

          Atenciosamente,

          Sônia Fátima Moura

          Mãe de Eliza Samudio, Ativista de Direitos Humanos

          Maria do Carmo dos Santos

          Madrinha de Bruninho, Ativista de Direitos Humanos e Presidente do Vítimas Unidas

          Brasil, 16 de março de 2026″.

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          Fonte: Portal Leo Dias

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