Um vídeo de câmeras de segurança registrado no Fórum da comarca de Flores de Goiás (GO) levantou questionamentos durante o julgamento de um homem acusado de matar a ex-esposa. As imagens mostram que o réu caminhava normalmente ao chegar ao prédio, mas passou a mancar e aparentar dificuldades de locomoção apenas ao entrar na sala do Tribunal do Júri.
O acusado, José Fernando Soares Meireles, foi julgado em agosto de 2025 e acabou condenado a 20 anos e nove meses de prisão pelo assassinato da ex-companheira, Marli Lino da Silva Meireles. No entanto, posteriormente o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) anulou a decisão, e um novo julgamento foi marcado para o dia 7 de maio, às 9h. Até lá, ele permanece em liberdade.
As imagens anexadas ao processo pelo Ministério Público mostram o momento em que José Fernando chega ao fórum vestindo camiseta listrada azul e branca, calça preta e óculos escuros. No registro, ele passa pelo detector de metais e segue caminhando normalmente pelos corredores. Pouco depois, já na área próxima à sala do júri, o comportamento muda: ele passa a mancar e aparenta dificuldades para andar, chegando a receber ajuda de uma mulher para se sentar.
A defesa do acusado recorreu da condenação alegando, entre outros pontos, que os vídeos apresentados durante o julgamento não teriam sido anexados ao processo com a antecedência mínima exigida pela legislação. Com isso, o tribunal decidiu anular a sessão do júri realizada em 2025.
O crime ocorreu na madrugada de 16 de julho de 2016, em uma chácara onde Marli morava. Conforme a denúncia, José Fernando teria ido ao local para tentar reatar o relacionamento. Diante da recusa da ex-esposa, ele teria sacado uma arma e ameaçado a vítima, dizendo que, se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém.
Ainda segundo a investigação, após uma discussão e luta corporal, o homem atirou contra Marli, que foi atingida na cabeça. Uma amiga da vítima, Ivonete Bezerra, presenciou o crime e também teria sido atacada. De acordo com o relato, José chegou a tentar disparar contra ela, mas a arma falhou.
Durante interrogatório, José Fernando admitiu ter causado a morte da ex-companheira, mas negou a tentativa de homicídio contra a testemunha. Ele afirmou que perdeu o controle após uma discussão e que um dos disparos teria ocorrido durante uma tentativa da vítima de segurar seu braço.
Com a anulação do julgamento, o caso voltará a ser analisado pelo Tribunal do Júri em maio, quando novas provas e depoimentos deverão ser apresentados novamente em plenário.
