Publicidade
Após sucessivos adiamentos, o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) para hidrelétricas e UTEs (Usinas Termelétricas) a gás e carvão está agendado para entre quarta e sexta-feira, ou 18 a 20 de março.
Conforme destaca o UBS BB, este é um momento muito aguardado para a Eneva (ENEV3), que pode ser transformacional.
A companhia possui UTEs com contratos próximos do vencimento, que buscará renovar (cerca de 1,5 gigawatt – GW), e aspira contratar expansões de UTEs greenfield, sendo as mais conhecidas pelo mercado a Celse 2 (expansão da Celse), de até 1,3 GW, a Ceiba, de 750 MW, e, em menor medida na nossa visão, a Termolinhares, que pode adicionar cerca de 2 GW em capacidade.
Viva do lucro de grandes empresas
Na visão do UBS BB, a Eneva se destaca como um dos poucos players capazes de converter preços de capacidade mais altos em megawatts executáveis; como um player R2W (“ready to work”), ela tem vantagens de custo de transporte de gás em relação à maioria dos concorrentes.
“Acreditamos que a companhia pode ser especialmente competitiva em produtos de prazo mais curto, como 2028, quando haverá contratação de UTEs greenfield, dada a escassez de turbinas eólicas no mundo e o fato de a companhia ter antecipado a compra de suas turbinas”, avaliam os analistas.
Leia mais:
Continua depois da publicidade
Isso pode gerar um duplo benefício: tanto por ser um dos poucos players capazes de executar uma nova usina em um prazo curto, reduzindo a concorrência, quanto por ter um capex menor, já que a forte inflação no custo desses equipamentos torna-os hoje mais caros do que quando acreditamos que a companhia os adquiriu.
O banco lembra que, em 10 de fevereiro, a Aneel aprovou os tetos de preço definidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) bem abaixo das expectativas de mercado, o que levou a uma forte reação, com a ação da Eneva chegando a cair cerca de 20% durante o pregão.
A leitura foi de que os tetos de preço corriam o risco de esvaziar o leilão e que a Eneva não participaria se eles fossem mantidos. Três dias depois, o MME republicou tetos de preço atualizados, elevando-os em 81% para greenfield e 101% para UTEs existentes, o que reduziu os receios de um leilão fracassado.
Ainda existe um risco de cauda de um possível recálculo de preços e novo adiamento do leilão, dado que o Tribunal de Contas da União (TCU) questionou o MME sobre a fundamentação para a mudança dos tetos. “No entanto, acreditamos que isso será resolvido antes do leilão e que os novos tetos serão mantidos, assim como a data. O TCU divulgou uma nota técnica apontando fragilidades significativas na metodologia, mas recomendando a revisão para leilões futuros, ao mesmo tempo em que afirma que seria inconveniente adiar o leilão”, aponta a equipe de análise.
O UBS BB ressalta que haverá dois “leilões separados”. Como há casos em que mais projetos competem por acesso ao sistema no mesmo “nó” da infraestrutura de transmissão, isso passa a ser um fator limitante no leilão.
Assim, em uma primeira rodada, os projetos disputarão o direito de acesso ao nó da rede de transmissão (independentemente de ser UTE existente, nova UTE ou expansão hídrica). Depois de selecionados, os projetos habilitados disputarão o leilão geral, desta vez separado por tipo e ano, com as melhores ofertas vencendo o produto.
Continua depois da publicidade
O UBS BB tem recomendação de compra para Eneva, com preço-alvo de R$ 27 por ação.
Além de Eneva, o Safra e o Bank of America também apontam a Copel (CPLE6) como bem posicionada.
Fonte: InfoMoney
