Aquela tosse insistente que aparece de repente e não vai embora pode ter causas que vão muito além de uma simples gripe. Segundo a pneumologista Célia Rocha, é preciso atenção quando o sintoma se torna persistente. O ContilNet conversou com a médica ainda nesta terça-feira (3), que deu mais dicas sobre o assunto.
“Toda e qualquer alteração que apareça no seu organismo tem que enfrentar, tem que tratar. Tudo que se trata em tempo resolve. O que se posterga tende a complicar”, alerta.
De acordo com a médica, uma das causas mais comuns – e muitas vezes ignoradas – é o refluxo gastroesofágico. “Aquele alimento migra do estômago para o esôfago, até mesmo para a garganta, dando ânsia de vômito e mal-estar”, explica. Ela destaca que o problema precisa ser tratado, pois pode evoluir para quadros mais graves. “A pessoa que tem refluxo pode, inclusive, fazer uma pneumonia fácil, unilateral ou bilateral, porque o alimento volta, ganha a traqueia e provoca uma inflamação”.
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Outra causa apontada por Célia Rocha são medicamentos para hipertensão. “É muito comum os medicamentos para pressão alta darem esse problema de tosse. Então, tem que rever toda a medicação”, orienta, ressaltando a importância da reavaliação médica periódica.
A chamada tosse pós-infecciosa também entra na lista. Após uma gripe ou sinusite, o sintoma pode persistir por semanas ou até três meses. “Às vezes a pessoa acha que ainda está doente, mas é uma tosse residual da infecção anterior”, explica.
Entre as condições mais sérias está a fibrose pulmonar. “Essa doença não tem cura, nem aqui nem em canto nenhum do mundo”, afirma. Segundo a especialista, o diagnóstico tem se tornado mais frequente nos últimos anos.
Por fim, a médica chama atenção para fatores emocionais. “As pessoas ansiosas ou portadoras de depressão podem desenvolver tosse decorrente desse processo de estresse e preocupação.” Nesses casos, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
Célia reforça que o primeiro passo é procurar avaliação profissional. “Pode começar com um pneumologista ou procurar uma unidade de saúde para ser examinado, fazer os exames e ter o diagnóstico completo.”
Ela também lembra que prevenção é fundamental. “Prevenção, educação, atividade física, boa alimentação, boa hidratação, não fumar, não beber. Sigamos em busca da saúde, que é o bem maior de todos nós.”
