Policial Federal Ricardo Matias condenado a 24 anos por morte em barco no DF

Caso Lago Paranoá: Saiba detalhes da condenação do policial federal que matou bancário a tiros em 2016

Após uma espera de dez anos, o Tribunal do Júri de Brasília condenou, nesta quinta-feira (19/03), o policial federal Ricardo Matias Rodrigues, 53 anos, a uma pena de 24 anos de prisão em regime fechado.
Divulgação/CBMDF

Após uma espera de dez anos, o Tribunal do Júri de Brasília condenou, nesta quinta-feira (19/03), o policial federal Ricardo Matias Rodrigues, 53 anos, a uma pena de 24 anos de prisão em regime fechado.

O agente foi responsabilizado pelo assassinato do bancário Cláudio Muller e pela tentativa de homicídio contra Fábio Cunha, crimes ocorridos durante uma festa em uma embarcação no Lago Paranoá, em 2016.

O magistrado Paulo Rogério Santos determinou a prisão imediata do réu, que vinha respondendo ao processo em liberdade e exercendo suas funções na corporação normalmente até a data do julgamento.

“Culpabilidade Intensa” e Frieza

Na sentença, o juiz destacou que o policial agiu com culpabilidade intensa. Por ser treinado para o uso de armas, Matias deveria ter maior controle emocional, mas optou por ingerir álcool na data do crime, o que reduziu sua prudência. O magistrado também apontou indícios de “frieza e ausência de empatia”, citando que o réu chamou as vítimas de “vagabundos” logo após os disparos.

Polêmicas e Gratificações

Um dos pontos que mais gerou debate durante o processo foi a manutenção de Ricardo Matias nos quadros da Polícia Federal. Mesmo acusado de homicídio duplamente qualificado, ele seguiu lotado na Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor).

Com informações do Metrópoles.

Documentos revelam que, entre 2020 e 2025, o agente recebeu mais de R$ 22 mil em gratificações e diárias para ministrar cursos de gestão de crise e segurança em diversos estados. Atualmente, o salário de um agente especial na PF pode ultrapassar os R$ 25 mil.

Relembre o caso

O crime foi motivado por uma discussão entre mulheres durante uma festa de aniversário no barco. Segundo testemunhas, o policial sacou sua pistola Glock 9mm e disparou contra o abdômen das vítimas, que estavam desarmadas.

Cláudio Muller, assessor do Banco do Brasil, deixou esposa e duas filhas. Fábio Cunha sobreviveu ao tiro no peito, mas carrega sequelas e uma bala alojada no corpo até hoje.

Esta foi a terceira vez que o caso foi a júri, após anulações por falhas procedimentais em anos anteriores. Com a nova sentença, a defesa deve recorrer, mas o réu inicia o cumprimento da pena imediatamente.

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