UBS BB eleva Usiminas para compra com avanço do protecionismo; ação sobe 2%

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Após um longo período de pessimismo com o setor siderúrgico brasileiro, o UBS BB passou a adotar uma visão mais construtiva, impulsionada pelo avanço de medidas de proteção comercial (antidumping). Nesse contexto, o banco vê a Usiminas (USIM5) como principal beneficiária e elevou a recomendação da siderúrgica para compra. As ações USIM5 chegaram a subir forte, cerca de 7%, mas fecharam com ganhos mais modestos, de 2%, a R$ 6,62.

O preço-alvo foi elevado de R$ 6,80 para R$ 9,00, com base em múltiplo EV/Ebitda (Valor da Firma sobre lucro antes de juros, depreciações e amortizações) de 4,7 vezes para 2026.

O banco estima que a margem Ebitda do aço pode alcançar entre 13% e 15% nos próximos anos, possivelmente até 2027, ante cerca de 6% em 2025, o que representa um forte efeito de alavancagem para os acionistas. Atualmente, o mercado precifica margens próximas de 9%, o que indica potencial de valorização.

Viva do lucro de grandes empresas

Com as medidas antidumping, o UBS BB espera uma redução significativa das importações chinesas de aço plano no Brasil, abrindo espaço para produtores locais. A Usiminas deve capturar parte desse volume, com crescimento estimado de cerca de 10% nos embarques.

Esse aumento de escala deve gerar diluição de custos fixos e redução de 2% a 3% no custo por tonelada. Há ainda potencial adicional de melhoria no mix de produtos, embora isso não esteja totalmente incorporado nas estimativas.

Gerdau (GGBR4)

Para a Gerdau, a recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo ligeiramente reduzido de R$ 25 para R$ 24, ainda sustentado por potencial de valorização das operações nos Estados Unidos.

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O UBS BB destaca o forte desempenho da operação na América do Norte, que já responde por cerca de 70% do Ebitda da companhia. A expectativa é que as margens Ebitda da divisão norte-americana atinjam cerca de 25% no primeiro semestre de 2026, apoiadas por aumentos de preços já implementados e uma carteira de pedidos robusta, superior a 80 dias. Para o ano cheio de 2026, o UBS BB projeta margens próximas de 23%, nível ainda não totalmente precificado pelo mercado.

Por outro lado, a operação brasileira segue desafiadora, especialmente no segmento de aços longos. O banco avalia que o problema não está nas importações, mas na forte competição doméstica, com aumento da capacidade e maior fragmentação do setor.

Nesse contexto, as margens devem permanecer abaixo de 10% por mais alguns trimestres. Ainda assim, o UBS BB vê potenciais gatilhos positivos a partir do segundo semestre de 2026 e, principalmente, em 2027, como a entrada em operação da mina de Miguel Burnier e possíveis avanços em medidas antidumping para bobinas a quente (HRC).

Otimismo com medidas antidumping

O banco destaca que o setor ficou pressionado nos últimos 3 a 4 anos, especialmente pelo aumento das importações — sobretudo da China — que chegaram a cerca de 6,4 milhões de toneladas em 2025, quase três vezes acima de 2019. Esse movimento impactou preços e margens domésticas.

Agora, o UBS BB vê maior capacidade do Brasil de proteger sua indústria, com medidas antidumping que já cobrem cerca de 40% das importações, com potencial de expansão.

Há ainda investigações em andamento para produtos como tubos, fio-máquina e, especialmente, bobinas a quente, com sinalizações iniciais positivas.

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Segundo o banco, momentos de maior protecionismo costumam marcar pontos de inflexão positivos para ações do setor, como ocorreu em mercados como EUA, União Europeia e México.

Potencial de alta de preços

O UBS BB estima potencial de aumento de cerca de 10% nos preços dos produtos afetados, com altas próximas de US$ 100 por tonelada, principalmente em aço laminado a frio e galvanizado. O banco considera essa projeção conservadora, diante da expectativa de menor competição externa e mercado doméstico mais apertado.

Segundo o relatório, produtores e distribuidores já começaram a elevar preços nesse patamar. Por outro lado, o banco vê desempenho mais fraco para aços longos, devido à menor proteção e maior competição interna.

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Fonte: InfoMoney

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