A conclusão do inquérito contra o ex-piloto Sérgio Antônio Lopes revela um modus operandi pautado na vulnerabilidade social e na manipulação familiar.
Preso em fevereiro no Aeroporto de Congonhas, Sérgio não apenas admitiu os crimes em vídeos, como também detalhou uma rede onde responsáveis “vendiam” o acesso a crianças e adolescentes por valores irrisórios, entre R$ 30 e R$ 100, ou em troca de remédios e aluguel.
O Perfil dos Crimes
O indiciamento foi individualizado por vítima, o que elevou a conta penal para mais de 100 crimes. Entre as tipificações estão:
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Estupro de vulnerável e aliciamento de crianças;
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Produção, posse e compartilhamento de pornografia infantojuvenil;
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Organização criminosa, coação no curso do processo e falsa identidade.
Com informações do Metrópoles.
A Estratégia de Aproximação
De acordo com a delegada Luciana Peixoto, o suspeito utilizava uma “máscara social” de afeto. Ele iniciava relacionamentos amorosos com mães e avós para ganhar confiança e livre acesso às residências.
A investigação aponta que ele incentivava as vítimas, na faixa dos 11 aos 14 anos, a recrutar amigas em troca de benefícios financeiros.
Rede de Conivência
O caso choca pela participação de familiares. Além do piloto, estão presas:
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Uma idosa de 55 anos, suspeita de vender as três netas (10, 12 e 14 anos) para o criminoso.
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Uma mulher acusada de aliciar outras mães e fornecer vídeos da própria filha, de apenas 2 anos, para o piloto.
A Latam, onde o suspeito trabalhava desde 1998, efetuou a demissão por justa causa imediatamente após a prisão. O Ministério Público agora analisa o inquérito para oferecer a denúncia formal à Justiça, onde o ex-piloto pode enfrentar décadas de reclusão dada a soma das penas.
