TJAC define critérios rigorosos para aumentar pena de membros de facções criminosas

Justiça acreana reforça punição para crimes cometidos dentro de presídios, mas exige provas concretas de conexão para elevar sentenças de réus

Em decisões publicadas na edição desta quarta-feira (28) do Diário da Justiça Eletrônico, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) detalhou os critérios utilizados para calcular a punição de integrantes de organizações criminosas. O colegiado analisou recursos que discutiam a dosimetria (o cálculo da pena) em casos envolvendo facções, o uso de armas de fogo e a participação de crianças e adolescentes no crime.

TJAC define critérios rigorosos para aumentar pena de membros de facções criminosas/Foto: Reprodução

Um dos pontos centrais do debate jurídico foi a atuação dessas organizações dentro do sistema penitenciário. O entendimento mantido pelo Tribunal é de que o crime praticado dentro de unidades prisionais possui um “especial desvalor”, justificando penas mais severas. A justificativa é que tal conduta desafia diretamente a autoridade do Estado e a segurança pública.

Apesar do rigor, o TJAC estabeleceu um limite importante para evitar punições genéricas. Os magistrados decidiram que, para aumentar a “pena-base” de um réu com o argumento de atuação em presídios, é obrigatório que o processo contenha provas concretas de que aquele indivíduo específico estava conectado a esse contexto.

Segundo a decisão, não basta que a organização criminosa como um todo atue em presídios; é necessário provar a participação ou o benefício direto do réu nessa estrutura para que a condenação seja agravada.

A matéria julgada também reforçou a aplicação de aumentos de pena previstos na Lei de Organizações Criminosas (Lei 12.850/13). Entre os principais fatores que elevam o tempo de prisão estão:

  • Emprego de arma de fogo: a presença de armamento na estrutura da facção é considerada um fator de altíssima periculosidade;
  • Envolvimento de menores: a cooptação de crianças e adolescentes para o crime é tratada com rigor prioritário, gerando aumento imediato na punição dos envolvidos.

Para especialistas, a postura do TJAC demonstra um equilíbrio entre a necessidade de combater o crime organizado com mão forte e o respeito ao princípio da individualização da pena.

Ao exigir provas específicas para o aumento das sentenças, o Judiciário evita nulidades processuais e garante que a punição seja aplicada de forma técnica e justa.

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