Após meses de idas e vindas, a Raízen (RAIZ4) anunciou na manhã desta quarta-feira (11) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívida financeira sem garantia. Às 10h23 (horário de Brasília), os papéis RAIZ4 caíam 7,69%, a R$ 0,48.
O plano foi negociado consensualmente com os principais credores financeiros, que já representam mais de 47% da dívida afetada, atingindo o limite legal para prosseguir. A empresa enfatizou que o processo é estritamente financeiro e não afetará as operações ou obrigações com clientes, fornecedores e parceiros comerciais, que continuarão sendo honradas normalmente.
O Bradesco BBI ressalta que a situação da Raízen é crítica e não há uma solução mágica,. Portanto, a reestruturação pode incluir injeções de capital dos acionistas, conversão de dívida em ações, emissão de novos títulos de dívida, possíveis reorganizações societárias e venda de ativos.
Viva do lucro de grandes empresas
Por ora, a injeção avaliada de capital de R$ 4 bilhões da Shell e da Aguassanta, da família de Rubens Ometto Silveira de Mello, deveria trazer algum alívio para a empresa, enquanto ela tenta reestruturar sua dívida.
O Goldman Sachs ressalta que, embora não tenha uma opinião sobre o resultado do processo de reestruturação, acredita que isso não deve ser uma surpresa completa para os investidores, já que a Raízen havia reconhecido anteriormente a possibilidade de entrar com um pedido de reestruturação extrajudicial e as notícias das últimas semanas já indicavam que a empresa poderia estar planejando uma revisão mais ampla de sua estrutura de capital.
“Observamos que um aumento de capital na Raízen (no qual a Cosan – CSAN3 – não participa), juntamente com uma conversão de dívida em ações, poderia levar a uma diluição significativa da participação da CSAN3 na Raízen. Continuaremos monitorando os desdobramentos futuros”, avaliam os analistas.
Continua depois da publicidade
