A corrida pelas duas vagas do Acre ao Senado Federal começa a ganhar contornos mais definidos, e a primeira fotografia da disputa coloca o senador Márcio Bittar (PL) numericamente na frente.
Levantamento da agência Delta, encomendado pela TV Gazeta e divulgado nesta terça-feira (11), mostra Bittar com 18,79% das intenções de voto, o maior percentual entre os candidatos apresentados aos entrevistados.
Mas há um detalhe importante: a liderança é apertada. O ex-governador Gladson Cameli aparece logo atrás, com 18,15%, e Jorge Viana vem em seguida, com 14,61%. Com margem de erro de 3,1 pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados.
Ainda assim, o número tem peso político. Bittar aparece na primeira colocação justamente em uma disputa que reúne nomes de enorme peso eleitoral e trajetórias muito diferentes.
Márcio Bittar construiu uma longa trajetória na política e chegou ao Senado depois de passar pela Assembleia Legislativa e pela Câmara dos Deputados. Sua atuação também se consolidou no campo conservador e bolsonarista. Em manifestações públicas no Senado, Bittar foi um dos primeiros aliados a declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, reforçando sua identificação com o grupo político liderado pela família Bolsonaro.
Essa ligação pode ser um componente importante da disputa, especialmente em uma eleição na qual o eleitorado de direita deverá ter papel decisivo. Bittar e Flávio Bolsonaro, inclusive, já atuaram conjuntamente em proposições no Congresso Nacional.
O senador também carrega uma característica que não se constrói de uma eleição para outra: experiência. Sua trajetória política começou ainda no movimento estudantil, no início dos anos 1980, e posteriormente ele construiu carreira eletiva no Acre. São mais de quatro décadas de participação na vida pública e de presença no debate político.
Na segunda posição aparece Gladson Cameli, com 18,15%. O resultado confirma a força eleitoral de um político que construiu sua trajetória ocupando diferentes espaços e que mantém uma característica reconhecida por aliados e adversários: o carisma.
Ex-governador do Acre, Gladson conhece profundamente o mapa político do Estado e tem trânsito entre diferentes grupos. Seu desempenho na pesquisa mostra que continua sendo um nome competitivo para uma das duas cadeiras em disputa.
A diferença de apenas 0,64 ponto percentual para Bittar transforma a disputa em uma espécie de fotografia congelada: hoje, os dois aparecem praticamente lado a lado.
Na terceira posição está Jorge Viana, com 14,61%. O petista não é um nome qualquer na política acreana. Sua trajetória passa pela Prefeitura de Rio Branco, pelo Governo do Estado e pelo Senado Federal. Segundo o histórico oficial do Senado, Viana foi prefeito da capital entre 1993 e 1996, governador por dois mandatos, de 1999 a 2006, e senador entre 2011 e 2019.
É justamente essa experiência que mantém Jorge Viana no centro da disputa. Mesmo aparecendo numericamente atrás de Bittar e Gladson, sua presença entre os três primeiros mostra que continua tendo um eleitorado consolidado e capacidade de disputar uma das duas vagas.
Depois do trio da frente, aparece Mara Rocha, com 12,77%, seguida por Sérgio Petecão, com 8,10%. Eduardo Velloso registra 5,67%; Júnior Feitosa, 2,19%; e Inácio Moreira, 1,09%.
Outro dado chama atenção: 16,20% dos entrevistados ainda não sabem ou não quiseram responder. Isso significa que existe um contingente considerável de eleitores que ainda pode mudar de posição durante a campanha.
A pesquisa ouviu 1.006 pessoas em 18 municípios do Acre entre os dias 4 e 9 de agosto. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob os números AC-06787/2026 e BR-07604/2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Se eleição fosse hoje, Márcio Bittar sairia dessa fotografia com o melhor desempenho numérico. Mas a mesma pesquisa deixa claro que ninguém pode cantar vitória.
Bittar lidera, Gladson está praticamente colado e Jorge Viana permanece vivo na disputa. E, como o Acre elegerá dois senadores, a verdadeira batalha não será apenas para saber quem termina em primeiro, mas quem conseguirá ocupar as duas cadeiras.
