A pesquisa Delta divulgada nesta terça-feira (11) não tirou Alan Rick (Republicanos) da liderança na corrida pelo Governo do Acre. Mas, talvez pela primeira vez neste ano, o dado mais importante para quem acompanha a eleição não esteja no primeiro colocado. Está no segundo.
Mailza Assis (PP) chegou a 25,15% das intenções de voto e reduziu para 13,08 pontos a distância que a separa de Alan, que aparece com 38,23%. É uma diferença ainda relevante, mas bem menor do que aquela apresentada pela mesma Delta em março.
E a evolução merece ser colocada lado a lado.
| Pesquisa Delta/TV Gazeta | Alan Rick | Mailza Assis | Diferença |
|---|
| Março | 40,36% | 20,78% | 19,58 p.p. |
| Junho | 39,55% | 19,40% | 20,15 p.p. |
| Julho | 38,27% | 19,48% | 18,79 p.p. |
| Agosto | 38,23% | 25,15% | 13,08 p.p. |
Os números mostram uma coisa importante: não houve uma queda linear da vantagem de Alan. Em junho, por exemplo, a diferença chegou a ser ligeiramente maior do que em março. Em julho, voltou a cair. A grande mudança aparece agora, em agosto.
Mailza não apenas cresceu. Ela cresceu enquanto Alan praticamente ficou parado.
Desde março, o senador recuou 2,13 pontos percentuais. A governadora, por outro lado, avançou 4,37 pontos. E, olhando especificamente para o intervalo entre julho e agosto, a fotografia fica ainda mais clara: Alan variou apenas 0,04 ponto para baixo, enquanto Mailza saltou 5,67 pontos.
É esse movimento que transforma a pesquisa em um sinal de alerta para a campanha de Alan.
A liderança continua sendo confortável. Não há empate, e seria precipitado tratar a eleição como uma disputa de dois candidatos em condições equivalentes. Alan ainda tem 38,23%, mais de 13 pontos à frente de Mailza.
Mas eleição não é apenas fotografia. É também direção. E a direção, neste momento, favorece a governadora.
Há uma segunda mudança relevante: Mailza deixou de dividir a segunda colocação.
Em julho, ela tinha 19,48%, praticamente empatada com Tião Bocalom, que aparecia com 19,28%. Agora, Mailza chega a 25,15%, enquanto o ex-prefeito recua para pouco mais de 14%.
A diferença entre os dois, que era de apenas 0,20 ponto em julho, passou a ser superior a dez pontos. Isso muda a lógica da campanha.
Bocalom deixa de ser, pelo menos neste momento, o principal adversário de Mailza pela vaga no segundo turno. A governadora passa a ter uma posição mais confortável no campo opositor a Alan e, ao mesmo tempo, se torna o nome que mais diretamente ameaça transformar a atual liderança do senador em uma disputa mais apertada.
É aí que começa a aparecer o dilema de Alan
Até aqui, o senador tinha um cenário bastante favorável para administrar. Liderava todas as pesquisas, aparecia com baixa rejeição e mantinha distância considerável dos adversários.
A nova Delta ainda confirma duas dessas três vantagens
Alan continua na frente e tem a menor rejeição entre os principais nomes: 7,46%. Mailza aparece com 8,95%. A diferença é pequena, mas mostra que nenhum dos dois chega à campanha carregando uma resistência eleitoral particularmente alta.
O problema está no movimento do eleitorado
A pesquisa mostra que 15,50% ainda não sabem ou não responderam em quem votar. É um contingente maior do que a diferença entre Alan e Mailza.
Esse eleitorado será disputado justamente quando a campanha oficial começar, no próximo dia 16, com candidatos mais presentes nas ruas, propaganda, debates, ataques, defesa de governos e exposição diária.
Por isso, seria um erro estratégico para Alan tratar os 38% como se fossem uma espécie de patrimônio eleitoral consolidado. Não são.
O senador tem uma liderança real, mas parte desse eleitorado ainda está em processo de decisão. E Mailza, que até pouco tempo atrás aparecia próxima de Bocalom, agora chega à largada oficial da campanha em uma posição muito mais competitiva.
O segundo turno reforça essa leitura
No confronto direto entre Alan e Mailza, o senador venceria por 46,22% a 34,10%. A diferença é de 12,12 pontos.
Ainda é uma vantagem significativa, mas também representa uma redução importante em relação ao que a própria Delta apontava anteriormente. Em junho, Alan aparecia com 50,87% contra 27,14% de Mailza, uma diferença de 23,73 pontos. Em julho, o placar era de 53,68% a 27,63%, diferença de 26,05 pontos.
Ou seja: no primeiro turno, a vantagem de Alan caiu. No segundo turno, a distância também encolheu.
Isso não significa que Mailza esteja perto de vencer Alan hoje. Significa que o caminho entre a governadora e o senador ficou menos longo.
E há uma informação ainda mais interessante: no cenário em que Alan não participa da disputa, Mailza venceria Bocalom por 51,xx% contra 25,15%, segundo os números divulgados nesta terça-feira.
A leitura política desse dado é direta: Mailza se apresenta hoje como a alternativa mais competitiva ao senador dentro do campo que disputa a sucessão do Palácio Rio Branco.
Mas a pesquisa também revela um ponto de atenção para a própria governadora.
Crescer cinco pontos de uma pesquisa para outra é relevante, mas ainda não significa tendência consolidada. É preciso esperar a próxima rodada para saber se o salto representa uma mudança estrutural no comportamento do eleitor ou uma oscilação provocada pelo momento político, pelas convenções e pela exposição recente das candidaturas.
É justamente por isso que a próxima pesquisa será tão importante.
Se Mailza permanecer na casa dos 25% ou avançar novamente, a eleição muda de patamar. Se voltar para a faixa dos 19% ou 20%, o levantamento de agosto poderá ser lido mais como uma oscilação do que como uma trajetória.
Para Alan, a questão é inversa
Ele não precisa entrar em pânico. Mas também não pode ignorar o sinal.
Uma candidatura que lidera com 38% tem muito mais a perder do que uma candidatura que aparece com 25%. A estratégia de quem está na frente costuma ser preservar, enquanto a de quem está atrás é atacar, crescer e ocupar espaços.
É exatamente por isso que a campanha oficial pode produzir uma mudança importante na dinâmica da eleição.
Alan chega como favorito e com baixa rejeição. Mailza chega como a candidata que mais ganhou musculatura na reta final da pré-campanha. Bocalom chega pressionado pela queda e pela rejeição de 32,80%, disparadamente a maior entre os principais nomes.
O cenário, portanto, não é de uma eleição definida. É de uma eleição que começa a ganhar contornos mais claros.
Alan ainda é o candidato a ser batido. Mas Mailza já não é apenas quem tenta alcançá-lo.
E talvez essa seja a principal mensagem da pesquisa Delta: a pergunta deixou de ser se a governadora conseguiria entrar na disputa. Ela entrou.
Agora, a questão é até onde consegue ir
A partir do dia 16, quando a campanha começa oficialmente, os números deixam de ser apenas resultado de uma pré-campanha e passam a ser combustível para uma disputa de verdade.
E, nesse novo capítulo, Alan terá de fazer uma escolha: administrar os 38% que já tem ou trabalhar para impedir que os 25% de Mailza se transformem em algo maior.
A pesquisa sugere que, pela primeira vez, há uma razão concreta para o líder olhar mais para a segunda colocada do que para o próprio percentual.
