O ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), tem menos de dez dias para definir seu pré-candidato ou pré-candidata a vice na disputa pelo Governo do Acre. Isso porque a convenção que oficializará a chapa será realizada no dia 30 de julho, às 17h, no Ginásio do Sesi.
Desde o início do projeto, Bocalom deixou claro, em todos os discursos e entrevistas, que precisa de um vice de sua confiança e “parecido com Alysson” — referindo-se ao atual prefeito de Rio Branco, que assumiu a Prefeitura após sua decisão de disputar o Governo.
Apesar de Alysson, Bocalom já teve péssima experiência com vice
O cuidado do tucano na escolha do companheiro de chapa tem explicação. Em seu primeiro mandato, teve uma relação turbulenta com a então vice-prefeita Marfisa Galvão (PSD), esposa do senador Sérgio Petecão. Os conflitos chegaram ao ponto de Marfisa exonerar indicados de Bocalom quando assumiu interinamente a Prefeitura.
“Quero um vice amigo”
Em entrevista exclusiva ao ContilNet, nesta quarta-feira (22), Bocalom afirmou que a definição da vice-governadoria ainda está em discussão. “Estamos avançando, correndo esse estado, porque eu não tenho padrinho nem estrutura como outras candidaturas. Meu padrinho é o povo. O vice está sendo discutido. Estamos avaliando nomes e as conjunturas. Até a convenção, todo mundo vai saber.”
Três opções
Bocalom deixou claro que, hoje, trabalha com pelo menos três nomes para a vaga: o sargento Adonis e os empresários Osvaldo Dias, CEO do Grupo Star Motors, e Patrícia Parente, empresária responsável por marcas importantes no Acre, como Giraffas e Café Nauas.
Osvaldo
O primeiro nome especulado como possível vice foi o empresário Osvaldo Dias. No entanto, em conversa com este colunista, Bocalom não demonstrou muito entusiasmo com essa possibilidade. “Eu não falei muito com ele ultimamente, mas ele tem me apontado algumas dificuldades em relação à empresa. Parece que vai haver uma transição por lá. O Osvaldo tem uma vida cheia de desafios na iniciativa privada. Ele me disse que está nessa situação. Não tenho conversado muito com ele”, afirmou o ex-prefeito.
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Empresário Oswaldo Dias/Foto: Reprodução
Osvaldo e Alan
Ouvi de algumas pessoas que o empresário estaria em um flerte com o senador Alan Rick (Republicanos) e teria pouco interesse em ser vice de Bocalom. Osvaldo, porém, não falou publicamente sobre o assunto.
Sargento Adonis
Entre os três nomes citados, Bocalom demonstrou maior entusiasmo ao falar do sargento da Polícia Militar. Adonis nasceu na região do Alto Juruá, desenvolveu atividades no setor empresarial e mantém forte ligação com o agronegócio. Também é membro da Igreja Assembleia de Deus.

Sargento Adonis surge como opção/Foto: Reprodução
“Cidadão exemplar”
Bocalom chegou a se referir a Adonis como um “cidadão exemplar”. O ex-prefeito confessou ainda que há um movimento dentro de sua equipe em defesa do nome do militar. “Ele está conosco. É uma pessoa preparada, um cidadão exemplar. Uma grande liderança do Juruá e está cotado. O nome dele está sendo discutido. A equipe tem colocado o nome dele e apostado na sua participação na chapa”, afirmou.
Patrícia Parente
A empresária também é de Cruzeiro do Sul e filha de uma família tradicional da região. Além disso, é esposa do ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal, pré-candidato a deputado federal na chapa de Bocalom.
O ex-prefeito reafirmou que Patrícia está entre os nomes cotados e a definiu como uma amiga.
“Pessoa preparada”
Bocalom destacou que o fato de Patrícia ser mulher também pesa na discussão. “O nome dela está colocado. É mulher, de Cruzeiro do Sul, é uma pessoa da minha confiança e eu a admiro muito. Vem de uma família muito boa. Ela e o marido são meus amigos”, afirmou.
“São três bons nomes”
Foi essa a frase usada por Bocalom ao resumir as opções para a vaga. “Vamos fazer tudo da forma mais cuidadosa possível. Eu quero alguém em quem eu possa confiar para esse projeto”, concluiu.
Bocalom vive situação parecida com a de Alan
Se o senador Alan Rick enfrenta uma sinuca de bico entre um nome que lhe oferece estrutura política e outro que pode agregar votos e popularidade à campanha, com Bocalom o cenário não é muito diferente. O ex-prefeito também precisa fazer uma escolha estratégica. Diferentemente de outras candidaturas, conta com apenas uma prefeitura em sua base e não dispõe de um fundo partidário robusto.
Bocalom segue surpreendendo
Escrevi, em uma coluna publicada no início do ano, quando Bocalom decidiu disputar o Governo, que sua principal ambição talvez não fosse vencer no primeiro turno, mas chegar ao segundo turno com força suficiente para buscar o apoio do governo. Continuo com a mesma leitura, e as pesquisas indicam que esse cenário não pode ser descartado.
Não subestimem o velho Boca.


