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O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,16% em junho, após subir 0,58% no mês anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado ficou bem abaixo da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam alta de 0,31%, e representa metade do que o próprio mercado aguardava.
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Para Marcela Kawauti, o resultado positivo vai além do número principal. “Mais importante que o índice cheio é a qualidade desse detalhamento do índice”, afirmou. Segundo ela, tanto os fatores externos quanto os componentes de demanda interna apresentaram melhora relevante no período.
Frete e safra
O grupo de alimentação e bebidas, que havia registrado alta de 1,33% em maio, recuou para -0,24% em junho.
Marcela Kawauti destacou que o barateamento do frete foi um dos principais responsáveis por essa deflação. “Quando a gente olha, por exemplo, frutas, que foi uma das principais contribuições negativas para o índice, isso depende muito de frete”, explicou.
Alimentos de reposição frequente, como frutas e hortaliças, são especialmente sensíveis ao preço dos combustíveis, já que precisam ser transportados com grande regularidade.
A queda nos preços dos combustíveis, influenciada pela dissipação parcial dos efeitos do conflito no Oriente Médio após o cessar-fogo iniciado em meados de maio, contribuiu diretamente para o recuo nos fretes e, consequentemente, nos preços dos alimentos.
Além disso, Marcela Kawauti apontou uma pequena melhora de safra em algumas culturas como fator adicional para a deflação do grupo.
Núcleo de serviços
Na inflação de demanda, o núcleo de serviços recuou de 0,4% em maio para 0,34% em junho. No acumulado de 12 meses, o indicador passou de 6% para 5,9%.
“Ainda é um número alto, ainda é um número que deve incomodar o Banco Central, mas essa composição do IPCA dá algum alívio e traz uma expectativa um pouco melhor, inclusive para a curva de juros”, avaliou Marcela Kawauti.
El Niño e energia elétrica são riscos
Apesar do resultado favorável em junho, Marcela Kawauti alertou para dois riscos relevantes no horizonte.
A energia elétrica já pressionou o IPCA em 0,06 ponto percentual no mês, e existe a possibilidade de a bandeira tarifária ser elevada de amarela para vermelha a partir de setembro, caso o El Niño impacte o regime de chuvas e reduza os níveis dos reservatórios das hidrelétricas.
“Se esse El Niño, de fato, vier forte, como é o que está aparecendo que vai acontecer, a gente pode ter um impacto adicional ainda maior a partir de meados do segundo semestre”, alertou.
O fenômeno climático também representa um risco para os preços dos alimentos. Marcela Kawauti ressaltou, no entanto, que a deflação registrada em junho representa um ponto de partida menos pressionado para o grupo, o que pode atenuar os efeitos do El Niño quando ele se intensificar.
Quanto ao petróleo, ela avaliou que, apesar da alta recente — com o barril voltando à faixa dos 70 a 80 dólares —, o nível ainda está bem abaixo do pico acima de 110 dólares registrado no auge do conflito, limitando o risco de repasse imediato ao frete e aos alimentos.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites
