Corais da Amazônia: as primeiras imagens de um novo mundo

First images taken from the submarine of the Amazon Reef. This Friday, January 27th, a submarine was launched from the Esperanza ship with the scientist from the Federal University of Paraíba Ronaldo Francini Filho and the director of the Greenpeace Oceans Campaign, John Hocevar. Ronaldo took part of the group of scientists who discovered the coral reef at the mouth of the Amazon River. The launch of the submarine involved a large part of the ship's crew. Esperanza, one of the three Greenpeace vessels, is in the region of the Amazon river mouth, Amapá State, for the campaign “Defend the Amazon Reef”. IMAGE EMBARGOED BY GREENPEACE BRAZIL UNTIL FEBRUARY 28th, 2017, 12:00 PM CET. TERMS OF DELIVERY: NO RESALE, NO ARCHIVE, FOR EDITORIAL USE ONLY, NOT FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. CREDIT LINE COMPULSORY: ©GREENPEACE. Primeiras imagens captadas do submarino dos Corais da Amazônia. Nesta sexta-feira, 27 de janeiro, o submarino foi lançado do navio Esperanza com o cientista da Universidade Federal da Paraíba Ronaldo Francini Filho e o diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace EUA, John Hocevar. Ronaldo faz parte do grupo de cientistas que descobriu o recife de corais na foz do rio Amazonas. O lançamento do submarino envolveu grande parte da tripulação do navio. Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, está na região da foz do rio Amazonas, no Amapá, para a campanha “Defenda os Corais da Amazônia. O objetivo é observar debaixo d’água, pela primeira vez, os recifes de corais. IMAGEM EMBARGADA PELO GREENPEACE BRASIL ATÉ 28 DE FEVEREIRO DE 2017, 9h HORÁRIO DE BRASÍLIA. TERMOS E CONDIÇÕES: SEM REVENDA, SEM ARQUIVAMENTO, PARA USO EDITORIAL APENAS. NÃO DEVE SER USADO PARA MARKETING OU CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS. CRÉDITO OBRIGATÓRIO: ©GREENPEACE.

Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

“Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, disse o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, logo após voltar à tona, sem esconder a emoção. Ele foi o primeiro cientista a mergulhar com o submarino para ver os recifes de corais da Amazônia. Junto dele estava o piloto John Hocevar, diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace USA.

Neste 27 de janeiro, às 13h15, retornava à superfície com as primeiras imagens que revelavam os contornos de um mundo oculto . Um capricho da natureza, que não cansa de nos surpreender ao preencher de vida uma região considerada inóspita e tão improvável de abrigá-la. Dentro de nós, que estamos à bordo do navio Esperanza, fica a certeza de que a campanha “Defenda os Corais da Amazônia” merece toda a nossa atenção.

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Foram quase duas horas de mergulho. A 220 metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, lá estavam eles, os recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias), expondo para nossas lentes suas cores e formas. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida”, conta Ronaldo.

Na expedição realizada em 2014, os pesquisadores usaram redes para coletar exemplares. Desta vez, eles realizaram a primeira observação desse novo bioma embaixo d’água. Isso faz toda a diferença, ao permitir entender mais sobre esse universo que já está ameaçado. Empresas querem explorar petróleo perto dali e um vazamento poderia colocar em risco não só os corais mas a vida marinha da região.

Quando Ronaldo e John começaram a explicar o que viram debaixo d’água, a alegria e a satisfação estampavam seus sorrisos. Eles contaram que nos primeiros minutos o submarino passou por uma extensa área de areia, o que os deixou ansiosos por tentar ver alguma coisa. No navio, o capitão e a tripulação iam dando as coordenadas certas para que a pequena cápsula com os dois tripulantes chegasse aos recifes. Os rodolitos e as esponjas foram aparecendo aos poucos. Até que o submarino chegou a um paredão: uma grande estrutura de carbonato de cálcio. Ali estava o que realmente procuravam! O submarino precisou subir um pouco, a 180 metros de profundidade, para ver o ecossistema por cima. Entre os peixes avistados, estavam um cardume de atum e o cioba, uma espécie muito importante para a economia da região do Amapá, altamente dependente da pesca. O cioba está ameaçado de extinção.

Esses peixes usam os recifes como locais para sua reprodução. Ali também estavam peixes herbívoros, comprovando a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais supreendente para Ronaldo, no entanto, foi ver alguns peixes-borboletas. Segundo ele, podem ser de uma nova espécie. “Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirma.

Este primeiro mergulho de submarino realizado pelo Greenpeace a bordo do Esperanza revelou esse novo universo a ser protegido. “Mostramos por que não podemos deixar que empresas explorem petróleo na região da foz do Rio Amazonas. Ainda mais se pouco conhecemos esse ecossistema”, disse Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Toda a tripulação se envolveu nessa operação. Da cabine de controle, o capitão e seus ajudantes garantiam que o navio Esperanza não se distanciasse do submarino. A cada 15 minutos, sinais de comunicação eram enviados para saber se tudo estava bem.

Ao final do dia, a aventura foi celebrada em uma roda de conversa entre todos no navio. John e Ronaldo contaram em detalhes o que viram debaixo d’água e a experiência de viajar em um equipamento tão moderno. Juntos, assistimos a um vídeo sobre nossos primeiros dias reunidos nessa missão. Uma cumplicidade de equipe e um espírito de aventura expressos em olhares trocados, que certamente renovam a união e a energia para os próximos dias. Foi de arrepiar.

Nossa missão por aqui, entretanto, está apenas começando. Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem. Continue conosco nesta jornada. Nos ajude a divulgar essas imagens e participe da luta para defender os Corais da Amazônia da exploração de petróleo. (Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza)

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