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6 maio, 2021 3:44 pm

O drama dos trabalhadores que não tiveram o que comemorar no 1º de maio

Mais de 600 estão sem receber salário desde janeiro após suspensão do repasse do governo às empresas terceirizadas

POR LEANDRO CHAVES, DO CONTILNET

José da Silva (nome fictício) tem vivido dias de muita dificuldade desde o início do ano, quando parou de receber o salário da empresa onde trabalha, a Maia Pimentel, que presta serviços de limpeza à Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (SEE).

Morando de aluguel com a família, ele precisou entregar a casa e agora vive de favor. Graças à solidariedade dos amigos, Silva não chegou a passar fome, mas as dívidas e as incertezas sobre o futuro têm tirado seu sono.

“É muito difícil passar por essa situação. Mesmo com quatro salários atrasados a gente continua indo trabalhar todos os dias, faça chuva ou faça sol. E pior: tirando dinheiro que não tem para garantir o transporte até o emprego, que não nos paga”.

Assim como José, que não se identificou por medo de represálias, outros 2 mil trabalhadores vinculados a empresas que prestam serviço para SEE não têm o que comemorar neste 1º de maio.

Eles não receberam o salário referente aos quatro últimos meses por falta de repasses do governo aos empreendimentos onde estão lotados. O problema acontece na capital Rio Branco e também no interior.

O estado alega que as empresas deixaram de enviar as documentações trabalhistas necessárias para que o repasse fosse feito. Porém, deputados de oposição têm questionado o motivo de o problema acontecer com tantas empresas ao mesmo tempo somente agora, quando a Secretaria de Educação passa pela maior crise dos últimos anos.

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A pasta é alvo de duas operações policiais que apuram fraudes na licitação de compras de cestas básicas para alunos durante a educação à distância e superfaturamento na aquisição de computadores. Mesmo sem indícios de participação nos esquemas, o secretário Mauro Sérgio se afastou do exercício do cargo há mais de um mês e foi temporariamente substituído.

Um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chegou a ser protocolado na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para contribuir com as investigações da Polícia Civil. A CPI também tem como objeto a situação dos trabalhadores terceirizados que seguem sem o salário.

“Cheguei a passar fome”

Ana Maria (nome também fictício) nunca imaginou que passaria pela situação de ter que trabalhar todos os dias, porém, ao final do mês, não ver a cor do salário na conta. Ela é uma das mais de 90 merendeiras da empresa Tecnews, que também deixou de pagar o vencimentos de seus trabalhadores após suspensão do repasse do governo.

“Uma situação horrível que só sabe quem vive. Não vou mentir: chego a passar necessidade dentro de casa e estou sobrevivendo com a ajuda de familiares. Ninguém dá uma resposta pra gente”.

Ela e as colegas também não deixaram de cumprir com suas obrigações diárias mesmo sem receber salário. “Estamos trabalhando todos os dias. Está lá o nosso ponto assinado. O que não tem é salário mesmo”.

A trabalhadora falou que há companheiras de serviço em uma situação ainda pior, que são mães solteiras e que estão sendo ameaçadas de despejo de suas residências por não pagarem aluguel.