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Rio Branco
29 julho 2021 4:56 pm

Construção de parada de ônibus de R$ 400 mil domina debates na Aleac

Oposição e líder do Governo se atacam por causa de obras em escolas rurais; “estamos priorizando”, diz Longo

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Obras construídas em escolas na zona rural de Rio Branco, principalmente uma nas imediações da Escola “Boa União”, na Estrada Transacreana, no valor aproximado de R$ 400 mil, dominou o debate da sessão remota da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), nesta quarta-feira (07).

Denunciada em sessão anterior pelo deputado Daniel Zen (PT), como provável indício de malversação de verbas públicas e cujas denúncias foram replicadas na sessão de hoje, os debates em torno das obras dominaram os dois primeiros expedientes, o pequeno e o grande, da sessão da Aleac.

O deputado Pedro Longo (PV), líder do Governo, disse que os deputados de oposição e os chamados independentes, estão menosprezando os investimentos feitos pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) no ensino rural, “nunca foi priorizado”.

O primeiro a voltar a tocar no assunto foi o deputado Roberto Duarte (MDB), um dos que se apresentam como independente. No primeiro expediente, Duarte voltou ao assunto e criticou o secretário-adjunto de Educação, Moisés Diniz, que, em suas redes sociais, havia criticado o deputado Daniel Zen, o autor da primeira denúncia sobre o assunto. Diniz disse que o valor das obras não se relacionam apenas à parada de ônibus, e sim como infraestrutura na frente à escola, com calçamento inclusive da rua e desvio de esgotos.

“A obra é maior que a escola”, disse Roberto Duarte, que repetiu o apelido atribuído por Edvaldo Magalhães à obra, chamando-a de gerigonça. “Se fosse investido para construir uma escola em alvenaria, daria para reformar toda a escola. Pegaram um projeto, botaram debaixo do braço, na base do cola e copia, para gastar os 25% constitucionais da área da Educação”, disse Magalhães.

“Eu fosse o senhor não faria a defesa desta aberração, porque se trata de uma obra faraônica”, disse Duarte ao se dirigir ao deputado Pedro Longo. O líder do governo, no entanto, sustentou a defesa da obra e apresentou fotografias. Além de mostrar imagens da obra, Pedro Longo convidou os demais deputados a visitarem as obras, afirmando que o valor não é fixo e que os custos são estabelecidos de acordos com o trabalho a ser feito, que tem suas variações.

Pedro Longo afirmou que a oposição e os chamados deputados independentes querem impedir o governo de levar benefícios ao ensino na área rural. “O ensino rural nunca foi prioridade como agora”, disse.

Segundo o líder do Governo, as obras são de portais que estão sendo realizados em 18 escolas rurais de Rio Branco, Bujari, Acrelândia e Senador Guiomard, no interior do Acre. Longo disse que o que foi denunciado pelo deputado Daniel Zen como uma “parada de ônibus” era na verdade um portal para recepção dos alunos, composto por pavimentação de tijolos de mais de cem metros, com base e sub-base, calçadas em ambos os lados, sistema de esgotamento de água e ainda abrigos para dias de chuva ou sol forte.

“Os investimentos foram determinados pelo governador Gladson Cameli para levar dignidade aos alunos, professores e funcionários das escolas rurais, diminuindo poeira e lama na chegada e saída dos alunos, no sentido de melhorar também o acesso aos ônibus escolares, além de segurança com as lombadas nos dois sentidos”, explicou.

Outro ponto destacado pelo deputado é que as obras geraram mais de 120 empregos nas comunidades rurais, além de injetar recursos nas olarias em um período de dificuldade econômica, em razão da pandemia.

“Os custos, que são inferiores aos destacados pelo deputado Daniel Zen, variam de acordo com a necessidade de intervenção em cada uma das escolas. As bases são diferentes e demandam trabalhos específicos. A iniciativa do Governo é muito importante, tendo em vista que as unidades educacionais da zona rural são raramente colocadas como prioridade”, continuou.

“Respeito os meus colegas de oposição quando questionam o orçamento, mas reitero que precisamos atender as necessidades da nossa população, até mesmo a que vive distante dos centros urbanos”, finalizou.

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