O projeto de lei 7.922/14, que permite a criação de 811 cargos efetivos para a Defensoria Pública da União, foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quinta-feira, 5 de maio. A medida pode favorecer a realização de um novo concurso DPU.
O PL estrutura o plano de carreira de servidores efetivos da DPU e cria 401 cargos de tĆ©cnico, de nĆvel mĆ©dio, e 410 cargos de analista, de nĆvel superior. O texto, agora, serĆ” enviado para anĆ”lise pelo Senado Federal.
O Plano de Carreiras e Cargos de Provimento Efetivo dos Servidores da Defensoria PĆŗblica da UniĆ£o (PCCDPU) contarĆ” ainda com cargos de nĆvel superior e intermediĆ”rio oriundos do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE) e redistribuĆdos para a Defensoria.
Quando esses cargos do PGPE vagarem, eles serĆ£o transformados em cargos de nĆvel equivalente das carreiras permanentes, podendo ser providos por concurso. Na CĆ¢mara, a matĆ©ria foi aprovada na forma do substitutivo da relatora, deputada Celina LeĆ£o (PP-DF), ao Projeto de Lei 7922/14, da DPU.
A parlamentar destacou a importância da implementação do plano de carreira. Ela afirmou que a DPU foi criada em 1994, sem cargos. Os servidores eram oriundos de outros órgãos da União.
āA Defensoria PĆŗblica da UniĆ£o cuida de quase trĆŖs milhƵes de causas das pessoas mais carentes. Com esse projeto de lei, haverĆ” condiƧƵes de se reorganizar a DPUā, declarou a relatora.
JĆ” a deputada Rosangela Gomes (Republicanos-RJ) afirmou que a matĆ©ria Ć© benĆ©fica para a população, āsobretudo a que mais precisa e, muitas vezes, nĆ£o pode contratar um advogadoā.
DPU conta com 80% de servidores cedidos de outros órgãos
Sem um novo concurso DPU para efetivos, 80% dos servidores da Ôrea de apoio são cedidos de outros órgãos. Os dados são da Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef).
HÔ ainda também para defensor público. Cerca de 600 profissionais ocupam o cargo, quando seriam necessÔrios, pelo menos, 1.483 em âmbito federal. Existem mais de 90 aprovados no concurso de 2019 aguardando nomeação. Porém, falta verba para nomeações.
āA falta de defensores pĆŗblicos pƵe em risco o direito de acesso Ć justiƧa de brasileiras e brasileiros que neste momento enfrentam a fase mais crĆtica de uma pandemia cujos efeitos nefastos atingem de forma mais grave e mais significativa as populaƧƵes mais vulnerĆ”veisā, ressaltou Luciana Dytz, presidente da Anadef, em entrevista ao Congresso em Foco.
De acordo com Luciana, a carga de trabalho dos defensores se multiplicou no decorrer da pandemia. āSem que tenha havido o correspondente apoio para expansĆ£o da estrutura da DPUā, pontua.
A boa notĆcia, para os cargos da Ć”rea de apoio, Ć© que oĀ OrƧamento para 2022, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, traz uma perspectiva positiva sobre a possibilidade de um novo concurso DPU.
Uma vez que o documento prevê a criação de 1.106 vagas vinculadas à Ôrea de apoio da Defensoria Pública da União. Desse total, 95 seriam referentes a cargos e funções comissionadas e 1.011 em cargos efetivos, que devem ser preenchidos por meio de concurso.
