Com um governo impopular e com apenas 1% nas pesquisas, presidente da Bolívia desiste de reeleição

Recuo do presidente, no entanto, não abre caminho para Evo Morales, que estaria inelegível segundo as leis bolivianas

Economista de 61 anos, Arce aparecia mal nas pesquisas/Foto: Reprodução

O presidente da Bolívia, Luis Arce, anunciou em La Paz que desistiu de concorrer à reeleição no pleito de agosto deste ano. Analistas internacionais afirmam que a decisão tem relação direta com o fracasso de seu governo, considerado um dos mais impopulares da história boliviana.

Economista de 61 anos, Arce aparecia mal nas pesquisas/Foto: Reprodução

Arce abriu mão da candidatura a um novo mandato de cinco anos apenas algumas semanas após ser proclamado candidato pelo partido Movimento ao Socialismo (MAS). O mandatário enfrenta, há mais de um ano, uma grave crise econômica, provocada pela escassez de dólares e combustíveis, que resultou em protestos.

Economista de 61 anos, Arce aparecia mal nas pesquisas: a mais recente, publicada no fim de março pela consultoria Captura, mostrava o presidente com apenas 1% das intenções de voto.

“Anuncio hoje ao povo boliviano, com absoluta firmeza, minha decisão de declinar minha candidatura à reeleição presidencial”, declarou Arce, em mensagem exibida pela emissora oficial Bolívia TV.

Ao mesmo tempo, propôs “a mais ampla unidade da esquerda” para buscar uma candidatura única que enfrente a direita. O atual presidente foi ministro da Economia durante a maior parte do governo de Evo Morales (2006–2019), hoje seu maior adversário político. O líder indígena, que busca seu quarto mandato, acusa Arce de orquestrar uma suposta perseguição judicial contra ele para impedi-lo de disputar as eleições de agosto.

Uma decisão judicial determinou, no final de 2023, que ninguém pode exercer a presidência por mais de dois mandatos. Com Arce fora da campanha, a disputa pela liderança da esquerda envolverá Morales e o atual presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, que rompeu com o líder cocaleiro ao anunciar sua intenção de disputar o pleito.

Durante seu discurso, Arce convocou Rodríguez e outras forças de esquerda a “pensar e agir em função da unidade”. “Para a oposição” de direita, dividida em várias candidaturas, enfrentar uma esquerda unida “é o cenário mais complicado”, disse à AFP o analista político Carlos Cordero.

Rodríguez, segundo as pesquisas mais recentes — que excluem Morales devido ao seu impedimento legal —, lidera as intenções de voto com 18%.

Arce assumiu o poder em novembro de 2020, após vencer as eleições com 55% dos votos. Na época, era lembrado pelo bom desempenho econômico que a Bolívia teve durante seus quase 12 anos à frente do Ministério da Economia. Nesse período, o país triplicou a produção interna e reduziu a pobreza de 38% para 15%.

As divisas obtidas com a exportação de gás sustentaram uma robusta política interna de subsídios, especialmente para combustíveis.

Após assumir a presidência, a queda na produção de gás comprometeu a economia. O governo teve que recorrer às reservas internacionais para importar gasolina e diesel e vendê-los a preços subsidiados, o que provocou uma escassez de dólares.

Em abril, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 15% — a maior taxa registrada no país desde 2008.

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