A polêmica em torno da deputada federal Meire Serafim (União Brasil), que destinou mais de R$ 20 milhões em emendas para uma associação baiana executar projetos no Acre, é daquelas que revelam mais sobre o clima político do que sobre a prática em si.
Não é de hoje que entidades e empresas de fora do estado desembarcam no Acre para tocar projetos financiados por emendas parlamentares. Essa dinâmica acontece há anos, com diferentes deputados e senadores, sem que isso tenha virado crise ou manchete. Agora, no entanto, a escolha da APAS, uma associação sediada em Salvador, virou alvo de críticas.
Meire argumenta que não havia instituições locais com a capacitação e a documentação necessárias para dar conta do projeto, que prevê desde ações contra arboviroses até a criação de escolinhas esportivas para jovens acreanos. É um ponto que ecoa em Brasília: quando os municípios não têm estrutura, o caminho é buscar quem tenha experiência comprovada em outras praças.
O fato é que a execução de emendas por empresas ou institutos de fora nunca foi novidade. Basta lembrar o caso do Instituto Léo Mora, registrado no Rio de Janeiro, que já atua no Acre com recursos de outros parlamentares — e sem a mesma celeuma.
A diferença agora é o momento político: em tempos de disputa por espaço e narrativas, qualquer decisão pode ser usada como munição.
O que realmente importa nessa discussão, no entanto, não é o CEP do CNPJ. O ponto central é se o dinheiro público será bem aplicado, com fiscalização e entrega de resultados para a população. No fim das contas, o contribuinte quer o serviço funcionando, seja qual for o executor.
Meire Serafim comprou briga ao assumir essa escolha, mas o efeito prático da emenda — caso saia do papel como prometido — será sentido por milhares de acreanos em vários municípios. A polêmica, como tantas outras, pode até passar rápido. O que vai ficar é a qualidade (ou não) do que será entregue.

