O MDB do Acre está num daqueles relacionamentos complicados que dariam um bom roteiro de novela política. De um lado, o governador Gladson Cameli (PP) revelou em entrevista ao ContilNet que o partido já estaria “noivando” com o Progressistas para formar uma aliança em torno da candidatura de Mailza Assis ao Governo em 2026.
De outro, três vereadores emedebistas de Rio Branco: Eber Machado, Neném Almeida e Fábio Araújo, que foram flagrados, sorridentes, em uma reunião com o senador Alan Rick, outro nome forte na disputa.
Ou seja: enquanto a direção estadual ensaia o casamento com Gladson e Mailza, parte da base municipal resolveu “pular a cerca” e fazer acenos para o adversário político.
A foto dos três vereadores com Alan repercutiu nos bastidores da política acreana e levantou uma pergunta inevitável: afinal, o MDB vai firmar compromisso no altar progressista ou continuar flertando com outros projetos?
Nos bastidores, o clima é de indefinição. Apesar do discurso afinado entre as cúpulas de Gladson e Mailza sobre a aliança, o MDB ainda não tem consenso interno sobre qual palanque subir. Alguns emedebistas veem em Alan Rick uma candidatura com discurso mais conservador e de oposição velada a Cameli, um perfil que pode atrair parte da base municipal, especialmente na capital.
Gladson, por sua vez, tenta consolidar Mailza como sua sucessora natural, com o apoio de legendas aliadas. O “noivado” político, porém, parece ainda depender de fidelidade e, no MDB, essa tem sido uma palavra cada vez mais difícil de sustentar.
Mailza não fica solteira
Se o “casamento” com o MDB não vingar, a pré-candidata ao Governo do Acre, Mailza Assis (PP), não corre o risco de ficar sozinha no altar político. A senadora já tem oito partidos dispostos a apoiá-la até o fim da disputa em 2026.
Além do Progressistas, legenda à qual é filiada, Mailza já conta com o apoio do União Brasil, Podemos, PSDB, PDT, Solidariedade, PRD e Avante, todos alinhados ao projeto de continuidade do grupo político liderado pelo governador Gladson Cameli.
Ou seja, mesmo que o MDB desista do “noivado”, pretendente é o que não falta para Mailza.
No mínimo constrangedor
Nos bastidores da política acreana, a aposta da vez é sobre quem ocupará a vaga de vice na chapa de Mailza Assis (PP) para o Governo em 2026. Na última semana, ganhou força a especulação de que o nome poderia vir do MDB, inclusive com a ex-deputada federal Jéssica Sales sendo apontada como a principal possibilidade.
Mas, enquanto todos olham para o MDB, poucos se atentam a outro detalhe importante: e o União Brasil, fica onde nessa história?
O partido, que se federalizou com o Progressistas neste ano, teoricamente deveria ter papel de destaque na composição da chapa majoritária. Afinal, seria natural que a indicação do vice viesse justamente do União Brasil, como forma de equilibrar forças dentro da federação e consolidar a aliança.
Por enquanto, silêncio. Se o MDB levar a vaga, o União corre o risco de sair da foto e, para quem acabou de firmar uma federação com o PP, ficar de fora do palanque seria, no mínimo, constrangedor.
União quer mais que figurante
Nos bastidores, cresce o incômodo dentro do União Brasil com a possibilidade de o partido ficar apenas como coadjuvante no arco de alianças em torno da pré-candidatura de Mailza Assis (PP) ao Governo.
Não seria exatamente justo. O União tem três deputados federais, três estaduais e uma base sólida no estado, peso político suficiente para reivindicar protagonismo na chapa majoritária.
Integrante da federação com o Progressistas, o partido espera mais do que simples menções de apoio. Com essa estrutura robusta, o União Brasil quer voz ativa nas decisões estratégicas da campanha e, de preferência, espaço de destaque no palanque.
Veloso mira o Senado, mas cenário ainda é nebuloso
O deputado federal Eduardo Veloso (União Brasil) tem se movimentado nos bastidores para garantir mais espaço ao partido dentro da aliança formada por Mailza Assis (PP), Gladson Cameli e os Progressistas.
Veloso chegou a se lançar como pré-candidato ao Senado em 2026, numa tentativa de dar ao União Brasil um protagonismo maior dentro do grupo governista. A ideia é equilibrar o jogo político e evitar que a sigla, mesmo com forte representação no Acre, acabe ficando em segundo plano.
Por enquanto, no entanto, tudo ainda está no campo da especulação. O próprio deputado já confirmou publicamente que pretende disputar o Senado mas, nos bastidores, o cenário segue indefinido e cheio de cálculos.
União precisa recalcular a rota
O União Brasil no Acre vai precisar recalcular a rota se quiser continuar relevante no cenário político estadual. O partido, que até pouco tempo ostentava dois senadores: Alan Rick e Márcio Bittar. Perdeu ambos. Alan migrou para o Republicanos e Bittar desembarcou no PL.
Com essas baixas, o União viu sua força no Senado se dissolver e agora encara o desafio de manter representatividade nas demais esferas. Se não se movimentar com estratégia, corre o risco de perder espaço também na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa (Aleac) nas próximas eleições.
A legenda ainda tem tempo para reagir, mas o alerta já acendeu: ou o União Brasil se reposiciona dentro da federação com o PP e do grupo de Gladson, ou pode virar mero figurante em 2026.


