Os bastidores da Câmara dos Deputados pegaram fogo nesta semana com o embate entre duas parlamentares acreanas: Antônia Lúcia (Republicanos) e Socorro Neri (PP).
Durante uma reunião de comissão, Antônia, que é pastora evangélica, perdeu o controle e mandou Socorro “se enforcar”. A frase, além de chocar colegas, revelou mais do que um destempero momentâneo: escancarou o abismo que separa o mandato das duas deputadas.
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A rusga, na verdade, não começou ali. Há algumas semanas, durante entrevista ao podcast do jornalista Luciano Tavares, Socorro foi questionada sobre qual mandato considerava melhor, o dela ou o de Antônia Lúcia. A resposta foi direta, sem rodeios: o dela. O ranço, ao que tudo indica, nasceu naquele momento. E, diante dos números, é difícil discordar de Socorro.
Enquanto Neri se destaca pela atuação técnica, presença constante e capacidade de articulação, Antônia Lúcia coleciona ausências e polêmicas. Um levantamento do Portal Metrópoles mostrou que, em 2023, Antônia figurava entre as deputadas que mais faltaram a sessões deliberativas sem justificativa, o segundo pior desempenho de toda a Câmara.
E a situação não parece ter melhorado. Só em 2025, Antônia Lúcia registrou oito faltas não justificadas e fez apenas cinco discursos em plenário. Relatou quatro proposições legislativas, número modesto para quem integra sete comissões como membro titular. Ainda assim, ela movimentou mais de R$ 36 milhões em emendas parlamentares para o Acre, o que demonstra influência orçamentária, mas pouca entrega política.
Do outro lado, Socorro Neri vem consolidando um mandato de relevância nacional. Professora e ex-prefeita de Rio Branco, ela tem se firmado como uma das parlamentares mais atuantes da bancada acreana. Em 2025, Neri relatou 19 propostas legislativas, não registrou nenhuma ausência e teve cinco discursos em plenário.

De acordo com Socorro Neri, esse projeto corrige uma injustiça com quem faz a escola funcionar todos os dias ao lado do corpo docente/Foto: Cedida
Além disso, ocupa posições estratégicas: é coordenadora-adjunta do Observatório Nacional da Mulher na Política e segunda vice-presidente da comissão responsável pelo novo Plano Nacional de Educação.
Todos os números estão disponíveis no perfil das duas deputadas no site da Câmara dos Deputados.
E o destaque da semana ajuda a explicar por que seu nome inspira respeito em Brasília. No mesmo dia da confusão com Antônia Lúcia, Neri conseguiu aprovar, na Comissão de Finanças e Tributação, o Projeto de Lei 2531/21, de sua relatoria, que institui o piso salarial nacional para os profissionais de apoio técnico, administrativo e operacional da educação básica pública. É o tipo de pauta que mostra onde estão as prioridades — e onde deveria estar o debate.
No fim das contas, o contraste é gritante. De um lado, uma deputada que aposta na agressividade verbal e nas redes sociais; do outro, uma parlamentar que aposta em resultados concretos e na seriedade do trabalho legislativo. O Acre tem duas mulheres na Câmara, mas apenas uma delas parece realmente comprometida em honrar o mandato.
E, como diria a própria Socorro Neri, com números e fatos a seu favor, o melhor mandato é mesmo o dela.
Rumos do mandato deixam reeleição de Antônia Lúcia cada vez mais difícil
Os últimos movimentos da deputada federal Antônia Lúcia (Republicanos) têm acendido o alerta até entre seus aliados mais próximos. Avaliações dentro do próprio grupo político apontam que a reeleição da parlamentar, em 2026, será uma missão das mais difíceis.
O desgaste não é apenas político. Além das polêmicas em reuniões de comissões na Câmara, Antônia Lúcia também tem protagonizado episódios conturbados na vida pessoal, com brigas públicas envolvendo o marido e a própria filha, tudo exposto nas redes sociais. Em algumas dessas ocasiões, após publicações com acusações graves contra familiares, a deputada afirmou ter sido vítima de hackers.
Esse conjunto de turbulências tem afetado a credibilidade da parlamentar até mesmo entre suas bases tradicionais. Lideranças evangélicas, que antes formavam o núcleo mais fiel de apoio a Antônia, hoje demonstram distanciamento e desconfiança.
Desafio!
Enquanto o mandato de Socorro Neri (PP) se consolida entre os mais atuantes da bancada acreana, o desafio político que se desenha para 2026 promete ser ainda maior.
Com a própria reeleição praticamente garantida, Neri deverá concentrar esforços na missão de ajudar a amiga e aliada Mailza Assis, atual vice-governadora, a chegar ao comando do Palácio Rio Branco.
As duas integram o mesmo grupo político e o mesmo partido, o Progressistas, e têm trajetórias marcadas pela defesa de pautas técnicas e pela presença ativa nas discussões de gestão pública e políticas sociais. A sintonia entre elas é total e, como é de seu perfil, Socorro deve assumir um papel de liderança no apoio à candidatura de Mailza.
Não será a primeira vez que Neri coloca sua força política a serviço de aliados. Em 2024, ela encampou a tentativa de eleger Alysson Bestene para a Prefeitura de Rio Branco.


