Pimenta: para apoiar Mailza, MDB não quer só o vice, quer espaço em secretarias; entenda

De acordo com informações apuradas pela coluna, os emedebistas não pretendem entrar na aliança apenas com o cargo de vice na chapa

Nos bastidores do Palácio Rio Branco, o clima é de intensa negociação política. O MDB, partido que ensaia uma reaproximação com o governador Gladson Cameli e com a vice Mailza Assis, estaria disposto a selar o apoio à reeleição da vice, mas com contrapartidas bem definidas.

Mailza durante reunião no MDB (8)/Foto: Reprodução

De acordo com informações apuradas pela coluna, os emedebistas não pretendem entrar na aliança apenas com o cargo de vice na chapa. O partido quer, além da vaga, garantir espaço no primeiro escalão do governo, como forma de consolidar a parceria política e fortalecer a estrutura partidária rumo às eleições de 2026.

Entre as secretarias colocadas à mesa, uma das possibilidades seria a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres, atualmente sob o comando da própria Mailza.

A vice-governadora, segundo interlocutores próximos, estaria disposta a abrir mão da pasta em nome da composição política, um gesto visto como estratégico para manter a coesão dentro da base governista.

O próprio presidente do MDB, o ex-prefeito Vagner Sales, já avisou que o partido só embarca no projeto se houver “participação real” no governo. A leitura é simples: não basta ser coadjuvante, é preciso ter voz e espaço.

Gladson, por sua vez, tem dado sinais de que pretende pacificar o palanque e chegar às eleições com a base unida, evitando rachas internos que possam favorecer a oposição. Mas, como se sabe, cada passo nessa dança política tem seu preço e, pelo visto, o MDB já apresentou sua tabela.

Nem tanta coisa assim

O MDB já havia sinalizado que manteria diálogo aberto com todos os pré-candidatos ao governo, inclusive com o senador Alan Rick, que também disputa o comando do Palácio Rio Branco em 2026. O partido chegou a admitir que conversaria com diferentes grupos antes de bater o martelo sobre uma aliança.

No entanto, ao que tudo indica, o caminho dos emedebistas tende mesmo a ser o da base governista. E convenhamos: como diz o velho ditado, Gladson e Mailza têm uma máquina pública para oferecer. Já Alan Rick, mesmo liderando as pesquisas, nem tanta coisa assim.

Águas tranquilas

O governador Gladson Cameli continua com a vida nada difícil na Assembleia Legislativa do Acre. O pedido de empréstimo de R$ 280 milhões enviado pelo Executivo foi aprovado sem qualquer turbulência, uma demonstração clara de que o governo mantém ampla maioria na Casa.

Dos 24 deputados estaduais, apenas dois votaram contra: Edvaldo Magalhães e Emerson Jarude, os únicos que fazem oposição de forma integral à atual gestão. O restante, mesmo com eventuais críticas pontuais, segue alinhado ao Palácio Rio Branco.

Com um cenário assim, dá pra dizer que, na Aleac, Gladson navega em águas bem tranquilas.

Fogo amigo

Se no Palácio Rio Branco Gladson Cameli navega em mar de calmaria, na Câmara Municipal de Rio Branco o cenário é bem diferente. O prefeito Tião Bocalom não tem tido vida fácil com o grupo de vereadores de oposição que, mesmo sem maioria, tem conseguido tornar os dias do prefeito um verdadeiro teste de paciência.

As turbulências, no entanto, têm respingado direto no colo do presidente da Casa, vereador Joabe Lira, aliado de primeira hora e fiel escudeiro de Bocalom. À frente da Mesa Diretora, Joabe vem sendo alvo de críticas quase diárias nesta semana.

Nos bastidores, o clima é de tensão. Há quem fale, inclusive, na possibilidade de abertura de um processo de impeachment contra o presidente – por conta dos problemas na gestão das contas da Casa – um sinal de que o fogo amigo dentro da Câmara começa a sair do controle.

Resolve, Bocalom!

O prefeito Tião Bocalom precisa, com urgência, repensar sua liderança na Câmara de Rio Branco. O atual líder do governo, vereador Márcio Mustafá, passou a semana em completo silêncio, não moveu uma palha para defender o presidente da Casa, Joabe Lira, nem a gestão, que vem sendo alvo de críticas e acusações em torno do projeto 1001 Dignidades.

Quem precisou entrar em campo foi o ex-vereador João Marcos Luz, antigo líder de Bocalom na Câmara. Sem mandato, mas ocupando uma secretaria na Prefeitura, João Marcos deixou o gabinete para ir pessoalmente até a madeireira responsável pelas obras do 1001 Dignidades e tentar apagar o incêndio político.

O detalhe é que João Marcos não é mais vereador, embora ainda haja quem o trate como o “eterno suplente”. A cena, no mínimo, reforça o quanto o prefeito anda mal assessorado dentro da própria base.

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