Vício em açúcar: entenda por que acontece e como se libertar com a alimentação

Desejo por doce, cansaço, irritação e “fome emocional” podem ser sinais de um ciclo bioquímico e comportamental que o corpo aprende

O doce como conforto  e armadilha

Quem nunca disse “só um docinho pra animar o dia”? O problema é quando isso se torna rotina.

O consumo frequente de açúcar ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral da dopamina — o neurotransmissor ligado ao prazer. Isso gera uma sensação rápida de bem-estar, mas que logo passa, fazendo o corpo pedir mais.

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O resultado é um ciclo de desejo, queda e repetição, que pode levar à fadiga, compulsão e resistência à insulina.

O que o açúcar faz no corpo

Quando ingerido em excesso, o açúcar provoca picos de glicose seguidos de quedas bruscas, o que gera:

  • Fome intensa e vontade de comer novamente;

  • Oscilações de humor e irritabilidade;

  • Cansaço físico e mental;

  • Dificuldade de concentração.

Além disso, o excesso de glicose favorece inflamações silenciosas, prejudica o intestino e altera hormônios como cortisol e insulina — interferindo até na qualidade do sono e no metabolismo.

Como quebrar o ciclo

O segredo não é cortar o açúcar de vez, mas reeducar o corpo e o paladar.

Algumas estratégias práticas ajudam:

Inclua proteína e gordura boa em todas as refeições, pois reduzem os picos de glicose (ex: ovos, castanhas, iogurte, abacate).
Aposte em fibras (aveia, frutas com casca, chia, linhaça) — elas aumentam a saciedade.
Hidrate-se bem: sede pode ser confundida com vontade de comer.
Durma bem: a falta de sono aumenta o desejo por alimentos energéticos e doces.
Evite adoçantes artificiais em excesso, pois mantêm a dependência do sabor doce.

💡 Dica: pequenas trocas fazem diferença. Uma banana com canela e pasta de amendoim pode substituir perfeitamente um chocolate ultraprocessado no lanche da tarde.

Indicações e contraindicações

  • Indicado para: pessoas com compulsão por doces, fadiga, variações de humor e resistência à insulina.

  • Contraindicado: dietas extremamente restritivas e jejuns prolongados sem acompanhamento, que podem gerar efeito rebote e compulsão.

Reprogramar o paladar é possível

O corpo leva em média 21 dias para se adaptar a novos estímulos. Com acompanhamento nutricional, é possível reduzir gradualmente o consumo de açúcar, equilibrar hormônios e restabelecer o prazer natural com alimentos de verdade.

Referências científicas

  1. Volkow, N.D. et al. (2013). The addictive potential of sugar: similarities to drugs of abuse. American Journal of Clinical Nutrition.

  2. Lustig, R.H. (2021). Metabolic effects of sugar on human health. Nature Reviews Endocrinology.

  3. Benton, D. (2020). The impact of diet on mood and mental energy. Nutrients.

Escrito por Luana Diniz, nutricionista clínica esportiva. Confira mais dicas na coluna Nutrição em Pauta .

*COLUNA NUTRIÇÃO EM PAUTA / LUANA DINIZ NUTRICIONISTA – CRN7 16302

Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre, pós-graduada em nutrição clínica esportiva. Trabalha com atendimento clínico nutricional em parceria com a loja de suplementos Be Strong Fitness e é colunista do ContilNet em assuntos sobre alimentação e sua correlação com saúde e bem-estar.

Instagram: @luanadiniznutricionista

Contato: (68) 99973-0101

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