A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado, 22 de novembro, escancarou algo que a política brasileira já vinha sinalizando há algum tempo, a morte política dele. A operação que o levou para trás das grades consolidou o que pesquisas, movimentos de aliados e a própria falta de articulação vinham mostrando, o ciclo Bolsonaro acabou. E, com ele, a estratégia eleitoral de uma direita que continua presa a um líder que não tem mais condições jurídicas, práticas ou eleitorais de conduzir um projeto nacional.

A operação que o levou para trás das grades consolidou o que pesquisas, movimentos de aliados e a própria falta de articulação vinham mostrando, o ciclo Bolsonaro acabou/Foto: Reprodução
Enquanto isso, o presidente Lula avança. Cresce nas pesquisas, mantém apoio sólido dentro do próprio campo e, sem um adversário competitivo que consiga enfrentá-lo, transforma a possibilidade de um quarto mandato em algo cada vez mais real. A direita sabe disso, mas parte dela parece preferir insistir em uma candidatura que não existe, ao invés de construir alternativas viáveis.
Nesse cenário, alguns nomes começam a surgir como possíveis herdeiros do espaço deixado por Bolsonaro. Um deles é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que se movimenta com cuidado, constrói pontes e tenta se posicionar como um rosto novo para 2026, mesmo enfrentando resistência da própria família Bolsonaro, que tenta lhe puxar o tapete para manter controle sobre o campo da direita.
O fato é duro, mas é fato, Bolsonaro é o quarto presidente brasileiro preso em menos de dez anos. Mas só um dos que passaram pela cadeia conseguiu se transformar politicamente após isso, Lula, eleito três vezes, uma delas depois de sair da prisão. E, olhando para o cenário atual, não há sinais de que Bolsonaro tenha o capital político, a habilidade, a estrutura ou a amplitude necessários para repetir esse percurso. Nem aliados próximos arriscam esse tipo de previsão.
O problema é que muitos seguem mirando 2026 como se nada tivesse acontecido. E aqui entra o Acre. A ala bolsonarista local, que já trabalha em ritmo de campanha há meses, precisa aceitar a realidade, Bolsonaro está inelegível e agora está preso. Continuar apostando fichas nele não garante voto, não garante espaço e muito menos garante reeleição. Pelo contrário, pode custar mandatos.
Deputados, senadores e lideranças que dependem do apoio do eleitor conservador precisam virar essa página e focar em permanecer relevantes, cuidar de suas bases e construir narrativas próprias. Repetir slogans de campanha de um líder que não será candidato não sustenta projeto algum. O eleitor percebe, a política cobra.
A direita nacional já perdeu tempo demais esperando um retorno que não virá. Se quiser disputar o Planalto, precisa apresentar um nome novo, competitivo e com capacidade real de enfrentar Lula. O relógio da eleição está correndo e, até aqui, o único lado que tem candidato é o governo.
Bolsonaro já era. E insistir em negar isso só atrasa quem pretende estar no jogo em 2026.
