Chargista provoca sobre a série “Tremembé” e faz critica sobre espetacularização do crime

Vídeo critica a transformação de crimes reais em entretenimento enquanto famílias revivem traumas profundos

Na sua conta no Instagram, o chargista Maurício Ricardo, figura respeitada no humor político e social brasileiro, publicou um vídeo animado, com mais de 3,3 milhões de visualizações e aproximadamente 170 mil curtidas, que mistura desenho, música e crítica pesada sobre a série Tremembé.

Em estilo musical-cartunesco, o vídeo de Ricardo retrata cenas simbólicas inspiradas nos personagens da série Tremembé, do Prime Video, enquanto questiona a lógica do “hype true crime”: crimes reais sendo comercializados como produto de massa. A estética animada contrasta diretamente com a gravidade dos temas, reforçando o desconforto da “festa sombria” em torno da tragédia.

Vídeo critica a transformação de crimes reais em entretenimento enquanto famílias revivem traumas profundos

Maurício Ricardo critica justamente essa banalização midiática. Para ele, transformar criminosos, responsáveis por eventos traumáticos e irreparáveis, em celebridades é um tipo de violência simbólica: reviver a dor das famílias para gerar audiência. Ele aponta que, para muitos, os assassinos viram “influencers da prisão” ou “personagens de série”, o que relativiza suas responsabilidades reais.

A crítica não para apenas na fama dos condenados. Maurício também denuncia o interesse mórbido do público: por que tanto fascínio por essas histórias? Segundo ele, há uma “audiência em cima da desgraça”, uma espécie de voyeurismo coletivo que alimenta o ciclo pós-crime. É um alerta para os efeitos colaterais dessa cultura de true crime: o sofrimento dos que ficaram para trás, das vítimas, muitas vezes é esquecido.

A crítica de Maurício dialoga diretamente com outras vozes que já expressaram preocupação com Tremembé. Segundo relatos, a série tem sido comparada a programas estilo “Big Brother do crime”, pela forma como retrata a intimidade dos presos no presídio de Tremembé II.

Por fim, o vídeo de Maurício Ricardo se destaca não apenas como provocação artística, mas como denúncia social. Ele lembra que arte pode (e deve) desconfortar: para ele, a intenção é exatamente “tirar o sorriso do rosto e provocar o pensamento”. Se o true crime se consolida como gênero popular, é urgente refletir sobre seus limites e sobre o que significa dar visibilidade à dor real.

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