MDB pode repetir o mesmo cenário de 2024 e terminar sem mel e sem cumbuca

O partido analisa, com muito cuidado, sob a liderança do presidente Vagner Sales, quem deve apoiar em 2026

Nova diretoria do MDB foi definida nesta sexta-feira (29)/Foto: ContilNet

O glorioso MDB, um dos partidos que reúne alguns dos mais notáveis e marcantes nomes da política acreana, vive um dilema que talvez fosse desafio até para uma de suas maiores lideranças, que já não está entre nós: o grande Flaviano Melo, ex-governador, ex-senador, ex-prefeito e ex-deputado federal pelo Acre.

Executiva estadual do MDB/Foto: ContilNet

O partido, mesmo abrindo mão de indicar um nome para a disputa ao Governo em 2026, tornou-se a princesa cortejada do condado acreano. Tanto a vice-governadora Mailza Assis quanto o senador Alan Rick — ambos pré-candidatos ao Governo — buscam apoio da sigla para fortalecer suas bases no pleito que se aproxima.

O fato é que o MDB analisa, com muito cuidado, sob a liderança do presidente Vagner Sales, quem deve apoiar em 2026. A executiva já recebeu os dois pré-candidatos na sede do partido, em Rio Branco, em reuniões a portas fechadas.

Vagner é presidente do MDB no Acre/Foto: ContilNet

MDB não abre mão de algumas coisas

Vagner já deixou claro para os dois pré-candidatos que o partido não abre mão de algumas questões, como participação na chapa majoritária, apoio às candidaturas da sigla ao Senado, à Câmara e à Aleac, além de espaço na construção do plano de Governo.

Não considero que o MDB “quer demais” ao estabelecer suas condições. Embora tenha saído derrotado em 2024, perdendo três grandes prefeituras (Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Brasiléia), o MDB ainda possui medalhões da política, como o próprio Vagner — o “Leão do Juruá” —, a deputada estadual Antônia Sales, a filha do casal e ex-deputada federal Jéssica Sales — apontada nas pesquisas como forte candidata ao Senado —, além do ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, e dos três vereadores eleitos na capital em 2024: Eber Machado, Neném Almeida e Fábio Araújo.

Também não posso deixar de citar o grande sensei da ciência política, João Correia.

Encontro do MDB com Alan Rick/Foto: Reprodução

Pode terminar sem mel e sem cumbuca

O dilema em torno dessa escolha, que ganhou até cronograma interno no MDB, pode levar o partido a chegar em 2026 sem mel e sem cumbuca — como diz minha avó, em Sena Madureira.

Isso porque as pesquisas colocam Alan como favorito na disputa, mas mostram também um crescimento de Mailza, que assumirá o governo no ano que vem. E isso pesa — e muito — para o glorioso e seus membros.

Se fizer uma escolha errada, o partido pode acabar ao lado do derrotado e perder até o papel de coadjuvante. Vagner já afirmou que ficou marcado, de forma negativa, o fato de o MDB não ter um representante sequer na Câmara Federal, e que isso “precisa mudar”.

E não é apenas a eleição para o governo que promete ser acirrada. As disputas pelos demais cargos também exigem recursos variados, visibilidade e muito jogo de cintura.

A reunião dos integrantes da executiva do MDB com a vice-governadora e seu grupo aconteceu a portas fechadas/Foto: ContilNet

Julgamento de Gladson interferiu no processo

Fontes de dentro do partido afirmam que o julgamento do governador Gladson Cameli no STJ — previsto inicialmente para o dia 19 e remarcado para 5 de dezembro — interferiu bastante no andamento das discussões dentro da cúpula do MDB.

Gladson, goste-se ou não, faz toda a diferença no cenário de 2026, tanto para a esquerda quanto para a direita.

Mailza parece agradar mais do que Alan

Também escutei, ali pelas escadas que levam à sala azul do MDB, de um de seus membros, que Mailza tem agradado mais ao grupo do que Alan. Por outro lado, o senador conta com a simpatia de vários integrantes da executiva, como o próprio João Correia.

Difícil mesmo tem sido arrancar a opinião dos dinossauros do partido — mas, vez ou outra, alguém deixa escapar alguma fagulha. O fato é que o que pesa para o MDB não é apenas a preferência interna, mas também o que mostram as pesquisas, os acordos em curso, o poder da máquina e, claro, a análise da imprensa.

Bocalom não está fora do jogo

Conversei novamente com Bocalom em uma das agendas desta semana e perguntei sobre seus planos para 2026. “Até o início do ano que vem eu decido”, disse o prefeito. Parte de sua equipe e de seu eleitorado já considera a pré-candidatura praticamente certa.

Perguntei ainda se ele estaria aberto ao diálogo com o MDB, e a resposta foi: “Só posso dizer isso no ano que vem”. Mas pode ser tarde, Bocalom!

Apesar das poucas chances de o partido integrar a base do prefeito — especialmente após as eleições passadas —, nesta terra onde tudo acontece, nada é impossível. Tenho dúvidas sobre tudo e certezas sobre nada.

O MDB está certo

Diante de tudo isso, acredito que o MDB está certo em pisar devagar — como diz o samba —, porque é o futuro do partido que está em jogo.

Para quem acha que o cenário já está definido, basta olhar para o passado e perceber que nada está definido. Ainda há muita água para passar debaixo dessas pontes, do Alto Acre ao Juruá.

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