Ansiedade alimentar no fim do dia: por que aumenta e como controlar

Entenda como o estresse, a rotina e o desequilíbrio hormonal influenciam a fome emocional e descubra estratégias nutricionais para reduzir o impulso alimentar noturno

A ansiedade alimentar no fim do dia é um comportamento comum, mas frequentemente mal interpretado. Muitas pessoas acreditam que trata-se apenas de “falta de controle”, quando na verdade é o resultado de um conjunto de fatores hormonais, emocionais e comportamentais que se acumulam ao longo do dia.

Compreender por que isso acontece é o primeiro passo para retomar equilíbrio, regular a fome e fazer escolhas mais conscientes durante a noite.

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Por que a ansiedade alimentar aumenta no fim do dia?

1. Queda natural da serotonina

Ao anoitecer, os níveis de serotonina diminuem de forma fisiológica. Como esse neurotransmissor está ligado ao humor, bem-estar e controle do apetite, sua redução aumenta irritabilidade, ansiedade e o desejo por alimentos palatáveis e ricos em carboidratos.

2. Acúmulo de cortisol

Após um dia estressante, é comum que o cortisol permaneça elevado no período da noite. O cortisol influencia diretamente a fome emocional, intensificando a busca por comidas calóricas, doces e ultraprocessadas, uma tentativa de aliviar o estresse rapidamente.

3. Fadiga mental

O autocontrole depende de recursos cognitivos. Ao final do dia, o cérebro está mais cansado, reduzindo a capacidade de resistir a impulsos e aumentando comportamentos automáticos, como comer sem fome real.

4. Alimentação inadequada ao longo do dia

Dietas pobres em proteína e fibras ou refeições muito espaçadas aumentam a oscilação glicêmica, o que favorece fome compulsiva e ansiedade alimentar no período noturno.

5. Sono desregulado

Noites mal dormidas alteram dois hormônios-chave:

  • Leptina (saciedade) ↓ reduzida

  • Grelina (fome) ↑ aumentada
    Essa combinação intensifica a fome emocional no início da noite.

6. Desconfortos emocionais acumulados

Sensações como frustração, exaustão, sobrecarga, solidão e ansiedade costumam se intensificar no fim do dia, aumentando o uso da comida como forma de autorregulação emocional.

O que comer no fim do dia para reduzir a ansiedade alimentar

Importante: priorizamos ALIMENTOS NATURAIS, depois SUPLEMENTOS como apoio.

1️⃣ Alimentos naturais

Proteínas leves

Mantêm saciedade e estabilidade glicêmica.
Exemplos: frango desfiado, ovo, atum, iogurte natural, tofu.

Carboidratos complexos

Evitam picos de açúcar no sangue, prevenindo fome rápida.
Exemplos: aveia, batata doce, arroz integral, banana, cuscuz com proteína.

Alimentos ricos em triptofano (precursor da serotonina)

Auxiliam na regulação do humor e redução da ansiedade.
Exemplos: banana, aveia, ovos, grão de bico, castanhas.

Gorduras boas

Aumentam saciedade e reduzem impulsos.
Exemplos: amêndoas, castanha-do-pará, pasta de amendoim, azeite.

Chás calmantes

Reduzem tensão física e mental.
Exemplos: camomila, maracujá, capim-limão, erva-doce.

2️⃣ Suplementos que podem ajudar (após alimentação organizada)

Magnésio

Favorece relaxamento neuromuscular e melhora o sono.

Ômega-3

Auxilia na modulação da ansiedade.

Proteína (whey ou vegana)

Ajuda a completar a ingestão proteica e estabiliza a fome.

Melatonina

Útil em casos de sono desregulado (com prescrição).

5-HTP

Pode ajudar em baixa de serotonina, sempre com acompanhamento profissional.

Estratégias práticas para controlar a ansiedade alimentar

  • Não passar longos períodos sem comer.

  • Incluir proteína em todas as refeições.

  • Não treinar à noite de estômago vazio.

  • Ter um jantar leve e satisfatório.

  • Criar rotina de sono.

  • Evitar dietas muito restritivas.

  • Identificar gatilhos emocionais e ambientais (TV, celular, tédio).

  • Organizar a cozinha para não deixar “estímulos visuais” de alimentos gatilhos.

A ansiedade alimentar no fim do dia não é um fracasso pessoal — é um reflexo de como corpo, mente e rotina se comportam ao longo do dia.

Quando entendemos suas causas, conseguimos agir com estratégia e compaixão, organizando a alimentação para reduzir impulsos e promover mais leveza durante a noite.

Buscar a orientação de um nutricionista é fundamental para ajustar horários, combinações e quantidades de acordo com seu estilo de vida e necessidades individuais.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. Berthoud HR. Neural control of appetite. Nat Rev Neurosci, 2011.

  2. Sinha R. Stress and eating behavior. Psychoneuroendocrinology, 2018.

  3. Parker JA et al. Leptin–ghrelin interaction in appetite control. J Neuroendocrinol, 2012.

  4. Adam TC, Epel ES. Stress, eating and reward pathways. Physiol Behav, 2007.

  5. Vancampfort D et al. Emotional eating and sleep. Sleep Med Rev, 2020.

  6. Hudson JI et al. Night eating syndrome. Biol Psychiatry, 2010.

  7. Kanoski SE. Cognitive fatigue and overeating. Front Neurosci, 2012.

Escrito por Luana Diniz, nutricionista clínica esportiva. Confira mais dicas na coluna Nutrição em Pauta .

*COLUNA NUTRIÇÃO EM PAUTA / LUANA DINIZ NUTRICIONISTA – CRN7 16302

Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre, pós-graduada em nutrição clínica esportiva. Trabalha com atendimento clínico nutricional em parceria com a loja de suplementos Be Strong Fitness e é colunista do ContilNet em assuntos sobre alimentação e sua correlação com saúde e bem-estar.

Instagram: @luanadiniznutricionista

Contato: (68) 99973-0101

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