O nível do Rio Acre, em Rio Branco, segue em elevação e já se aproxima da cota de atenção, que é de 10 metros. Na medição realizada às 11h desta quinta-feira (18), o rio já havia ultrapassado os 9,5 metros, acendendo o alerta da Defesa Civil municipal. A cota de alerta na capital acreana é de 13,50 metros, enquanto a cota de transbordo é registrada a partir de 14,00 metros.
Em entrevista ao ContilNet, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão, explicou que, historicamente, o mês de dezembro apresenta baixo risco de transbordamento, mas destacou que a possibilidade, embora pequena, não pode ser descartada.
“Em relação a um transbordamento no mês de dezembro, nós temos uma incidência muito pequena de transbordamento no mês de dezembro, em toda a história, de 55 anos de monitoramento. Então, nós temos somente 3% de inundações no mês de dezembro. É um percentual pequeno, mas mesmo sendo pequeno existe a possibilidade. Então, eu estava dizendo que agora nós já estamos alcançando a marca dos 10 metros. 10 metros é a cota de atenção. Para uma cota de alerta fica faltando 3,5 metros e para uma cota de transbordamento 4 metros. Isso pode parecer muito, mas não é, porque nós tivemos só na chuva de ontem um aumento de quase 4 metros”, pontuou.
Segundo o coronel, a rapidez com que o nível do rio sobe é um fator que preocupa. Ele ressaltou que, em poucos dias de chuva intensa, o Rio Acre pode atingir marcas críticas.
“Então, se ele chegar a 10 metros, em um dia, dois dias de chuva, a gente consegue aumentar 4 metros, e chegar a uma cota de transbordamento. Então, existe essa possibilidade, existe. Agora, normalmente, quando ele chega em 10 metros, ele retrai para 8, aí vai de novo para 10, fica nessa oscilação”, afirmou.
Essa oscilação, conforme explicou Falcão, é um dos motivos que tornam menos frequentes os transbordamentos em dezembro. No entanto, o cenário muda nos meses seguintes:
“É por isso que a possibilidade de transbordamento no mês de dezembro é pequena. Agora, aí sim, quando passa o mês de dezembro, que já está pertinho de acabar, inclusive, aí nós chegamos no mês de janeiro, esse percentual aumenta, ele aumenta para 13%. E aí, 13% não é muito, mas já é um pouco mais do que 3%”.
O risco se torna significativamente maior nos meses de fevereiro e março, período em que historicamente ocorrem as maiores cheias do Rio Acre.
“Agora, quando a gente chega em fevereiro e março, aí nós vamos para 73%. E da forma como está se comportando o rio, a quantidade de chuva, o que eu faço de contas para cima e para baixo e estatística para cá e estatística para lá, comparando com outros anos, nós temos a possibilidade real de termos um transbordamento, não esse ano, que ele é pequeno, mas para o ano seguinte, lá para o mês de fevereiro, aí nós temos uma possibilidade bem grande, quase certa de termos transbordamento”, salientou.
Outro ponto destacado pelo coordenador da Defesa Civil é a mudança no comportamento do rio, que tem apresentado elevações mais rápidas do que o padrão histórico.
“Nós temos uma subida repentina do Rio Acre. Ultimamente, o rio está se comportando dessa maneira. Antes ele era mais lento, é por isso que nós chamamos nosso plano de contingência, plano de contingência de inundação gradual, mas não está sendo mais gradual, está sendo súbito. Mas, de qualquer maneira, essa subida e descida repentina, isso dá sinais de que a gente pode ter uma situação de transbordamento no ano seguinte”, disse.
A previsão meteorológica também contribui para o cenário de atenção, com expectativa de chuvas frequentes e volumes concentrados em curto período:
“A previsão é de chuvas. Por exemplo: hoje nós realmente estamos dando uma trégua, mas nós temos previsão de chuvas praticamente todos os dias daqui para frente. Entrando no meio de janeiro e tudo mais, vai ter sempre esses dias que não chove. Mas o outro fator importante é que quando chove, chuvas bem mais torrenciais, o que era esperado para dez dias, chove num dia só, que é o que aconteceu agora, recente. Por exemplo, essa chuva que deu agora, recente, choveu em um dia o que era esperado para onze”.
De acordo com Falcão, esse padrão de chuva intensa em curto espaço de tempo aumenta a preocupação das autoridades.
“Então, isso tudo complica a nossa situação também e acaba trazendo sempre uma tensão muito grande em relação a essa parte hidrológica”, acrescentou.
Por fim, o coronel reforçou que, diante do cenário atual, o Rio Acre ainda pode alcançar oficialmente a cota de atenção nos próximos dias: “É por isso que eu falo que hoje ainda ele tem a possibilidade de alcançar a cota de atenção, que é de dez metros”.




