A repercussão das declarações feitas pela procuradora de Justiça Alessandra Garcia Marques contra a corregedora-geral eleita do Ministério Público do Acre (MPAC), Patrícia de Amorim Rêgo, provocou reação pública do ativista de Direitos Humanos Germano Marino. Em extensa manifestação divulgada nesta sexta-feira (5), ele saiu em defesa de Patrícia e fez críticas severas à postura de Alessandra.

Alessandra declarou que não votou na colega para o cargo/Foto: Reprodução
A polêmica teve início após Alessandra afirmar que tinha “uma preocupação muito grande que essa memória … retorne numa nova versão é muito perigoso no Ministério Público do Estado do Acre”, em referência à eleição de Patrícia para a Corregedoria-Geral no biênio 2026-2028. Ela também declarou que “a manifestação ideológica muito explícita doutora Patrícia nunca fez nenhuma … nunca disfarçou que ela tem posições muito concretas”, acrescentando que espera uma corregedoria que “seja um espaço para a construção de pontes e jamais para que muros sejam erguidos”.
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A fala repercutiu negativamente entre representantes da sociedade civil e integrantes da instituição, até que Germano Marino decidiu se posicionar. Logo no início de sua nota, ele classificou o episódio como um marco negativo:
“Esta semana fomos surpreendidos por um episódio inusitado, profundamente triste e lamentável para a carreira da Justiça no Acre. Uma procuradora acusar outra de ter ‘posições ideológicas’ é algo que ultrapassa qualquer limite do bom senso, ainda mais quando quem acusa não demonstra a mesma disposição para ser investigada.”
Germano afirmou que a situação não é isolada e citou o histórico da procuradora Alessandra Marques:
“E aqui vale lembrar, isso não acontece por acaso. É público, notório e amplamente noticiado que essa procuradora já transgrediu regras internas, já foi alvo de sanções e, em diversas situações, não agiu com a devida importância ao cargo. Não é de se estranhar, portanto, que rejeite a existência de uma Corregedoria forte, atuante e imparcial, justamente o que o Ministério Público precisa para inibir condutas inadequadas, atrasadas e incompatíveis com a ética profissional.”
O ativista também relatou que já foi vítima de comportamentos atribuídos a Alessandra:
“Eu mesmo já fui vítima de suas atitudes. Precisei recorrer à Corregedoria do Ministério Público do Estado do Acre para denunciar atos discriminatórios e racistas dirigidos a mim e à minha comunidade de religiões de matriz africana. Sei, na pele, o peso dessas posturas.”
Em seguida, Germano afirmou que não poderia permanecer calado diante dos ataques à corregedora eleita:
“E por isso não posso me calar quando vejo o nome da Drª Patrícia de Amorim Rêgo sendo atacado.”
Ele então exaltou a trajetória de Patrícia Rêgo no MPAC:
“Drª Patrícia é uma mulher que honra o Ministério Público há mais de 30 anos de carreira. Já foi Procuradora-Geral de Justiça, é reconhecida em todo o país por sua atuação na defesa do meio ambiente, no combate à violência contra mulheres, na proteção de crianças, idosos, dependentes químicos e na promoção dos direitos da população LGBT+. Uma profissional premiada, respeitada, admirada e que acaba de ser eleita Corregedora-Geral do MPAC para o biênio 2026-2028.”
Germano também citou o trabalho desenvolvido por ela em iniciativas internas da instituição:
“Mais que isso: Drª Patrícia representa uma Justiça firme, humana, técnica e comprometida com a igualdade. Coordena iniciativas essenciais como o Centro de Atendimento à Vítima (CAV) e o Natera, que acolhem, orientam e protegem quem mais precisa. É uma mulher à frente do seu tempo, com coragem para enfrentar desigualdades e denunciar violações, onde quer que estejam.”
Sobre o episódio, ele afirmou:
“E, diante disso, o que vimos essa semana foi mais que inadequado, foi feio, lamentável e um vexame institucional. Como pode uma colega de profissão que se diz democrática, agir com tamanha falta de solidariedade, respeito e sororidade com outra mulher? Como pode alguém com histórico de punições tentar colocar em dúvida a integridade de quem construiu uma carreira irretocável? Não há comparação possível. E, sinceramente, se estivesse no lugar dessa pessoa, queimaria de vergonha.”
Ao final, Germano dirigiu-se diretamente à procuradora Patrícia Rêgo:
“Drª Patrícia Rêgo, peço desculpas em nome das muitas pessoas que admiram e reconhecem sua trajetória. Meu apoio vem com atraso apenas porque eu estava envolvido em outras atividades, mas nunca faltou e nunca faltará. Estamos com a senhora. Pelo respeito ao Ministério Público. Pela Justiça que não se curva ao medo. Pela ética que não negocia com falsidades. Pela dignidade que a senhora sempre representou.”
Até o momento, não houve manifestação oficial de Patrícia Rêgo sobre as falas de Alessandra Marques.
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