Maioria dos trabalhadores de Rio Branco vive sob forte pressão financeira, aponta pesquisa

Baixa renda, dívidas elevadas, informalidade e instabilidade no emprego moldam o cotidiano econômico da capital acreana, segundo levantamento da Fecomércio/AC

A maior parte dos trabalhadores de Rio Branco enfrenta um cenário de forte restrição orçamentária, marcado por baixos salários, avanço da informalidade e alto nível de endividamento. A constatação é de um levantamento realizado pelo Instituto DataControl, encomendado pela Fecomércio/AC e divulgado nesta quinta-feira, 4.

Baixa renda, dívidas elevadas, informalidade e instabilidade no emprego moldam o cotidiano econômico da capital acreana, segundo levantamento da Fecomércio/AC/Foto: Reprodução

De acordo com a pesquisa, feita com 200 pessoas economicamente ativas no final de novembro de 2025, 61,5% sobrevivem com até R$ 1.518 mensais, enquanto 51,5% possuem dívidas parceladas, metade delas comprometendo mais de 20% da renda familiar. Para fechar o mês, 27,5% recorrem a bicos, 16,5% pedem empréstimos e 10% deixam de pagar contas consideradas menos essenciais. Apenas 41% conseguem guardar algum valor ao final do mês.

O estudo também revela que, embora 83,3% exerçam alguma atividade remunerada, a estabilidade não acompanha essa taxa. Somente 35,5% têm carteira assinada. Outros 17% trabalham sem contrato, sendo 11,5% de bicos, e 5,5% são pequenos empresários. Há ainda 12,5% de aposentados entre os entrevistados. O retrato da instabilidade aparece ainda no fato de que 38% não possuem um emprego fixo.

A taxa de desemprego, estimada em 16,7%, escancara um nível elevado de desmotivação. Entre os desempregados, 44,4% sequer procuram uma vaga, 31,9% estão há mais de dois anos buscando trabalho e 17,4% não lembram quando passaram a ficar sem ocupação. Além disso, 19,5% trocaram de emprego no último ano, reforçando o padrão de volatilidade no mercado de trabalho local.

Para o assessor da Fecomércio-AC, Egídio Garó, os números refletem uma realidade já sentida por quem atua no setor produtivo. “Estamos diante de um mercado de trabalho que emprega, mas ainda não garante estabilidade financeira para grande parte das famílias. A renda é baixa, o endividamento é alto e a margem para poupar é mínima”, avaliou.

A pesquisa mostra também como a composição familiar impacta o orçamento. Embora a maior parte dos lares tenha entre três (25,5%) e duas pessoas (24%), 17% abrigam cinco ou mais moradores, pressionando ainda mais os gastos mensais. Em 44,4% das casas, apenas uma pessoa sustenta toda a família; em 39,5%, duas pessoas dividem essa responsabilidade. Não é por acaso que 36,5% dos entrevistados afirmam que a renda não cobre as despesas básicas.

Segundo Garó, há um claro descompasso entre responsabilidades e capacidade financeira. “Isso evidencia um descompasso estrutural entre o tamanho das responsabilidades e a capacidade financeira disponível para suportá-las”, explicou.

A administração das dívidas também é motivo de preocupação. O estudo indica que 54% dos entrevistados têm dificuldade para manter as parcelas em dia, mesmo que 57,5% afirmem fazer algum tipo de planejamento financeiro. Quando o orçamento estoura, 77,5% precisam renegociar prazos de até 30 dias; outros 9,5% dependem de mais de 45 dias, demonstrando a fragilidade na capacidade de enfrentar imprevistos.

O levantamento ainda traça o perfil dos trabalhadores rio-branquenses: 53% são mulheres, e 61,5% têm entre 16 e 44 anos. No recorte educacional, 37% concluíram o ensino médio e 16% possuem ensino superior. O setor de serviços lidera a ocupação (21,5%), seguido do comércio (19%) e do serviço público (16,5%).

A mobilidade urbana também pesa no bolso e no tempo de quem trabalha. Para 29,5%, a distância entre casa e trabalho é considerada grande; 27,5% utilizam o transporte coletivo, 18,5% moto própria e 15% carro.

Garó afirma que o diagnóstico reforça a urgência por políticas de geração de emprego formal e melhoria salarial.
“A alta proporção de pessoas com a renda comprometida e sentindo a insuficiência de seus ganhos demonstra que a recuperação econômica precisa chegar com mais força ao bolso do trabalhador”, concluiu.

Com informações da assessoria

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