Enquanto diversas regiões do Brasil ainda enfrentam o avanço da estiagem, o Acre caminha no sentido oposto e apresenta números otimistas. De acordo com os dados mais recentes do Monitor de Secas, o estado registrou um abrandamento significativo do fenômeno entre os meses de novembro e dezembro, consolidando o melhor cenário desde que o monitoramento começou em solo acreano.

lém da redução territorial, houve uma melhora qualitativa na severidade do fenômeno | Foto: Reprodução
A mudança no panorama estadual foi drástica. Em apenas um mês, a área total afetada pela seca no Acre despencou de 88% para apenas 5% do território. Esta marca é histórica: representa o menor percentual de área sob influência da seca já observado desde o início da série de registros, iniciada em novembro de 2022.
Além da redução territorial, houve uma melhora qualitativa na severidade do fenômeno:
- Extinção da Seca Moderada: o estado deixou de registrar áreas em situação de seca moderada em dezembro.
- Condição atual: o fenômeno agora é classificado como brando, situando o Acre em uma posição privilegiada se comparado aos estados vizinhos e ao cenário nacional.
O desempenho positivo do Acre ajudou a puxar os índices da Região Norte, que, junto ao Sul, apresentou uma diminuição na extensão das áreas afetadas. Diferente do Sudeste — única região com 100% de seu território sob influência da seca — o Norte conseguiu registrar uma redução na severidade, especialmente com o recuo das áreas de seca moderada.
Ao lado do Acre, outros estados amazônicos como Amazonas e Rondônia também apresentaram redução na área total do fenômeno, indicando um período de maior umidade na porção ocidental da Amazônia.
A situação do Acre é uma exceção positiva em um país onde 63% do território ainda sofre com a estiagem (aproximadamente 5,3 milhões de km²). Enquanto o estado celebra a redução para 5% de área afetada, 14 unidades da Federação — incluindo estados do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste — fecharam o mês de dezembro com 100% de seus territórios cobertos pela seca.
Cheia dos rios
Apesar do recuo drástico da seca, o estado não está livre de desafios climáticos. O alto volume de chuvas que ajudou a extinguir a estiagem moderada trouxe consigo um novo problema: o rápido aumento no nível dos rios.
Municípios acreanos já monitoram com atenção as bacias hidrográficas, uma vez que o período de chuvas intensas tem provocado transbordamentos do rios e famílias desabrigadas, transformando o alívio da seca em um estado de vigilância contra enchentes.
