Delmiro Gouveia: o empresário nordestino que desafiou a Inglaterra e teve a trajetória interrompida a tiros

De origem humilde, industrial enfrentou elites políticas e interesses estrangeiros antes de ser assassinado em 1917; crime nunca foi esclarecido

De origem humilde, industrial enfrentou elites políticas e interesses estrangeiros antes de ser assassinado em 1917; crime nunca foi esclarecido/Foto: Reprodução

Órfão aos 15 anos, sem recursos financeiros e analfabeto, Delmiro Gouveia iniciou a vida profissional como cobrador de bonde no Recife. Décadas depois, tornou-se um dos empresários mais influentes do Nordeste, ganhando projeção internacional ao exportar couros para diversos países e ficando conhecido como o “Rei das Peles”.

De origem humilde, industrial enfrentou elites políticas e interesses estrangeiros antes de ser assassinado em 1917; crime nunca foi esclarecido/Foto: Reprodução

No fim do século 19, Delmiro inovou ao construir o primeiro shopping center do Brasil, um grande centro comercial que reunia teatro, cassino e cinema, antecipando modelos urbanos que só se popularizariam décadas mais tarde. O crescimento econômico, no entanto, passou a incomodar setores da elite política da época, incluindo um vice-presidente da República e barão do açúcar, que iniciou uma perseguição direta ao industrial.

O conflito escalou quando Delmiro confrontou fisicamente o político no Rio de Janeiro. Como retaliação, em 1900, o complexo comercial do empresário foi incendiado de forma criminosa, ação atribuída à polícia. O episódio resultou na perda total do empreendimento e marcou uma virada dramática em sua trajetória.

Refugiado no sertão de Alagoas, Delmiro Gouveia voltou a surpreender o país ao construir, em 1914, a primeira usina hidrelétrica do Nordeste e fundar uma fábrica de linhas de costura que passou a competir diretamente com a empresa britânica Linhas Corrente. Mesmo diante da pressão estrangeira, recusou propostas de compra e declarou que pretendia, ele próprio, adquirir a concorrente inglesa.

Em 10 de outubro de 1917, o empresário foi assassinado com três tiros de rifle disparados de forma cronometrada com o apito da fábrica. O crime nunca foi solucionado. Anos depois, a indústria foi adquirida por grupos ingleses e completamente desmontada, com máquinas lançadas no Rio São Francisco, encerrando um dos capítulos mais emblemáticos da história industrial brasileira.

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