O cancelamento do Carnaval 2026 em Mâncio Lima, no interior do Acre, ganhou novos desdobramentos após declarações do vice-prefeito Andisson Lima, o Andinho.
Em um vídeo divulgado em grupos de WhatsApp, o gestor confirmou que a empresa responsável pela reforma da Alameda das Águas pertence à sua esposa, buscando desvincular sua imagem da titularidade do CNPJ: “Primeiro lugar, quero dizer para o povo de Mâncio Lima que a empresa é da minha esposa, não é minha. O cara que fez a matéria tá desinformado, não é no meu CPF”.
A execução da obra no Porto é apontada pela gestão do prefeito Zé Luiz como o motivo para a suspensão da festa, devido ao atraso no cronograma. No entanto, o vice-prefeito contestou a responsabilidade da empresa pela demora, alegando inadimplência por parte do órgão responsável.
Segundo Andinho, a primeira medição foi entregue em 21 de outubro, mas o pagamento só teria sido liberado no final de dezembro: “Então a empresa não é obrigada a fazer obra sem receber o pagamento. O órgão responsável tem 30 dias para pagar a primeira medição após a data que foi entregue a medição, e foi receber com mais de 60 dias a primeira medição”.
Em contrapartida, o Governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), emitiu nota ao ContilNet afirmando que “não há qualquer pendência contratual relacionada à obra da Alameda das Águas” e que havia a “expectativa técnica de que a obra estivesse 100% concluída antes do período do Carnaval”.
A Seop destacou ainda que não possui jurisdição sobre a realização do evento, tratando-se de matéria de competência da Prefeitura Municipal.
Sobre a continuidade dos serviços, o vice-prefeito ressaltou o impacto das condições climáticas: “Nós estamos no período que está chovendo muito. Não tem como trabalhar numa obra que é no descoberto, não tem cobertura no tempo que está chovendo desse jeito”.
Quanto à justificativa oficial de falta de local para o evento, Andinho afirmou que o estádio Totão possui estrutura pronta, incluindo um palco que economizaria cerca de R$ 30 mil aos cofres públicos. Ele declarou que o cancelamento foi uma decisão política e financeira tomada em conjunto com o prefeito Zé Luiz:
“Então o carnaval não vai acontecer em Mâncio Lima por uma decisão do prefeito. Eu e os secretário, todo mundo sentou e decidiu que não ia ter o carnaval porque a prefeitura não tem condição de bancar duas festa em seguida uma da outra. Essa é a verdade”.
O vice-prefeito finalizou reforçando que a ausência da festividade não se deve a entraves estruturais na obra da Alameda das Águas: “Então não venha querer dizer agora que não tem espaço e que é por causa da obra, que não é. […] O carnaval não vai acontecer não é por falta de espaço, é por falta de querer fazer o carnaval”.
O ContilNet consultou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para saber se existe algum tipo de ilegalidade no fato de a esposa do vice-prefeito ser a dona da empresa que executa a obra em Mâncio Lima. A assessoria afirmou que o órgão vai avaliar a demanda da nossa reportagem e se posicionar em breve.




