Diante da instabilidade do Rio Acre e das dificuldades no tratamento da água, a prefeitura de Rio Branco aposta na perfuração de poços artesianos como saída para garantir o abastecimento da capital. Nesta quinta-feira (29), o prefeito Tião Bocalom, explicou, durante visita ao Centro de Reservação do Santo Afonso, que estudos técnicos mostraram que perfurações muito profundas não resolvem o problema na capital, o que levou o município a investir em poços de até 400 metros, com resultados considerados positivos.

Atualmente, segundo o Saerb, cerca de 220 litros por segundo são enviados das ETAs para a região/Foto: ContilNet
Durante visita às obras no centro, Bocalom afirmou que a oscilação do nível do rio, com excesso de areia na água, compromete a capacidade das Estações de Tratamento (ETAs). “Toda vez que o rio sobe e desce, fica muita areia. Não dá conta de tratar e de ter a quantidade de água que a cidade precisa”, disse.
De acordo com o prefeito, os primeiros poços já perfurados apresentam vazão média de 10 mil litros por hora, o que ajuda a aliviar o sistema. “Eu não estava errado quando disse que a gente precisava furar poços. Essa é uma das saídas para Rio Branco”, reforçou, ao destacar que a água subterrânea reduz custos por exigir menos tratamento.
O presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira, explicou que os poços não ficarão parados após a perfuração. Assim que os testes de vazão forem concluídos, as bombas serão instaladas para uso imediato, principalmente no abastecimento da Cidade do Povo e bairros do entorno do Segundo Distrito.
Atualmente, segundo o Saerb, cerca de 220 litros por segundo são enviados das ETAs para a região. Com os poços em funcionamento, esse volume poderá ser reduzido e redistribuído para áreas mais altas da cidade, como a Floresta e o Calafate, tornando o sistema mais equilibrado e estável ao longo do ano.
Até agora, quatro poços foram perfurados no local, de modo que o quinto foi aberto nesta quinta-feira (29). A meta é chegar a dez poços, o que pode garantir uma produção total estimada em 100 mil litros de água por hora. A expectativa é que, no futuro, a Cidade do Povo seja abastecida exclusivamente por essa fonte.
Bocalom também voltou a criticar a possibilidade de privatização do serviço de água. Segundo ele, essa alternativa poderia elevar a tarifa em até seis vezes. “A prefeitura já investiu mais de R$ 200 milhões para manter o sistema funcionando, e eu tenho fé que vamos resolver o problema da água sem privatizar”, afirmou.
A estratégia, segundo a gestão municipal, é ganhar fôlego financeiro com a redução de custos no tratamento da água para ampliar investimentos não só no abastecimento, mas também no sistema de esgoto da capital.
