O Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) deve realizar, em 2026, o maior volume de investimentos com recursos próprios de sua história. Segundo o presidente da autarquia, Enoque Pereira, o montante pode chegar a cerca de R$ 50 milhões e será anunciado oficialmente pelo prefeito até o dia 19 de fevereiro.

Além das obras físicas, o Saerb aposta na melhoria da gestão financeira. A arrecadação da autarquia passou de 49% do faturamento em 2022 para 73% em 2025/Foto: ContilNet
De acordo com Enoque, os investimentos não contam com emendas parlamentares nem repasses federais. Todo o recurso previsto é resultado da arrecadação do próprio Saerb, o que marca uma mudança no modelo de financiamento do sistema de saneamento da capital.
A prioridade dos investimentos será a construção de novos reservatórios em regiões como Panorama e Holanda, além da ampliação de estruturas já existentes. Também está previsto o reforço da rede de distribuição, especialmente em bairros onde a tubulação antiga e estreita compromete a pressão e a regularidade do abastecimento.
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“Não adianta empurrar água em uma rede fina. É preciso trocar a tubulação, reforçar a rede e fazer uma adutora mais robusta”, explicou o presidente.
Parte significativa dos recursos também será destinada à ampliação do sistema de esgotamento sanitário. A projeção do Saerb é que, com obras do município e do Estado previstas para este ano, Rio Branco alcance mais de 70% de esgoto tratado, índice que colocaria a capital entre as mais avançadas da Região Norte nesse quesito.
Enoque destacou que, em apenas quatro anos, o Saerb reduziu a dependência direta de recursos da prefeitura. Em 2022, a cada R$ 100 investidos no sistema, cerca de R$ 90 vinham do município e apenas R$ 10 do próprio serviço de água e esgoto. Em 2026, a proporção se inverteu: R$ 75 devem sair do Saerb e R$ 25 da prefeitura.
O presidente também voltou a defender a manutenção do serviço público e criticou a privatização do saneamento. Segundo ele, a experiência de cidades como Manaus mostra que tarifas mais altas não garantem melhores resultados. Enquanto a tarifa mínima em Rio Branco gira em torno de R$ 38, em Manaus ultrapassa R$ 100, com índices de tratamento de esgoto ainda considerados baixos.
Além das obras físicas, o Saerb aposta na melhoria da gestão financeira. A arrecadação da autarquia passou de 49% do faturamento em 2022 para 73% em 2025. A meta para este ano é alcançar 82%, o que deve garantir maior capacidade de execução dos projetos planejados.
“Sem equilíbrio financeiro, não há obra. O avanço depende diretamente da arrecadação e da capacidade de investimento”, concluiu Enoque.
