Bocalom cede espaço e Alysson ‘está cada vez mais prefeito de Rio Branco’

O Carnaval, tradicionalmente um evento popular e altamente simbólico, acabou sendo o cenário ideal para demonstrar essa passagem gradual de protagonismo

O Carnaval de Rio Branco serviu como vitrine política, e não foi apenas para os blocos e a realeza da festa. Nos bastidores da gestão municipal, a mensagem foi clara, o vice-prefeito Alysson Bestene já ocupa, na prática, o centro do palco administrativo, com aval explícito do prefeito Tião Bocalom.

A movimentação não é casual. Ela faz parte de uma estratégia calculada para a transição que se aproxima, já que Bocalom deve deixar o cargo nas próximas semanas para disputar o governo do Acre. O Carnaval, tradicionalmente um evento popular e altamente simbólico, acabou sendo o cenário ideal para demonstrar essa passagem gradual de protagonismo.

No desfile do bloco Urubu Cheiroso, um dos mais tradicionais da capital, o gesto foi emblemático. Bocalom abriu mão do destaque e deixou que Alysson e a esposa conduzissem a abertura da bateria. O casal virou o principal foco do cortejo diante de uma multidão.

A cena se repetiu ao longo da programação. Alysson esteve presente em todas as premiações da realeza do Carnaval. Na noite da escolha das rainhas trans e gay, foi ele quem representou oficialmente a prefeitura e permaneceu em evidência durante toda a cerimônia, ao lado da esposa, Roberta Lins.

Alysson e a esposa foram destaques no desfile/Foto: Juan Diaz/ContilNet

Nos corredores políticos, a leitura é direta, trata-se de uma construção de imagem e de autoridade. Não é apenas presença em agenda, mas sinalização pública de comando.

O próprio Bocalom tratou de reforçar esse alinhamento em entrevista ao ContilNet. Segundo ele, a gestão sempre foi compartilhada, o que, na visão do prefeito, reduz qualquer possibilidade de mudanças profundas na equipe quando o vice assumir.

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“A sinergia existente entre eu e o Alysson é muito grande. Nós ganhamos a eleição juntos. Essa equipe foi montada pelo Bocalom e pelo Alysson, portanto não tem motivo nenhum de simplesmente tirar porque o Bocalom não está mais”, afirmou.

A declaração não foi apenas administrativa, teve também peso político. Nos últimos meses, havia dúvidas sobre o posicionamento de Alysson na eleição estadual, já que o partido dele, o PP, tem como pré-candidata ao governo a vice-governadora Mailza Assis.

Mas o que se vê agora é uma sinalização crescente de fidelidade política e alinhamento estratégico.

No resumo do enredo, a festa popular revelou um roteiro político bem ensaiado, Bocalom recua gradualmente do palco municipal, enquanto Alysson avança, cada vez mais no papel de prefeito antes mesmo da posse formal.

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