Câmara e Aleac retornam do recesso com lideranças fragilizadas em ano eleitoral

E, na largada de 2026, há um ponto de convergência entre os dois principais gestores do estado: tanto o prefeito Tião Bocalom quanto o governador Gladson Cameli convivem com lideranças que não entregam o que o momento político exige

Por Matheus Mello, ContilNet 04/02/2026 Atualizado: há 2 meses

As sessões da Câmara Municipal de Rio Branco e da Assembleia Legislativa do Acre retornam nesta terça-feira (3) depois de um longo recesso de fim de ano. E, na largada de 2026, há um ponto de convergência entre os dois principais gestores do estado: tanto o prefeito Tião Bocalom quanto o governador Gladson Cameli convivem com lideranças que não entregam o que o momento político exige.

As sessões da Câmara Municipal de Rio Branco e da Assembleia Legislativa do Acre retornam nesta terça-feira (3) depois de um longo recesso de fim de ano

Marcio Mustafá à esquerda, líder de Bocalom e Manoel Moraes, à direita, líder de Gladson/Foto: Reprodução

No caso da Câmara, Bocalom sente há mais tempo o peso dessa fragilidade. Desde a saída de João Marcos Luz, que deixou o posto após não ser reeleito em 2024, o governo municipal não conseguiu encontrar um nome capaz de organizar a base. O atual líder, Márcio Mustafa, não se destaca no discurso, tampouco na articulação política. Falta coordenação, falta unidade e, principalmente, falta comando.

O resultado Ă© uma base desorganizada, em que cada vereador atua por conta prĂłpria, sem linha clara de defesa do governo. Isso se torna ainda mais sensĂ­vel porque Bocalom deve se desincompatibilizar do cargo em abril para disputar o governo do estado. Se nĂŁo deixar o terreno arrumado antes disso, sai enfraquecido.

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Há ainda um componente adicional: boa parte da base do prefeito é formada por vereadores de outros partidos, inclusive siglas que terão candidaturas próprias ao governo, como o PP, da vice-governadora Mailza Assis. Caberá ao líder da prefeitura manter esse apoio minimamente coeso dentro da Câmara, mesmo com a Prefeitura sendo comandada pelo vice Alysson Bestene. Hoje, essa engrenagem simplesmente não funciona.

Na Aleac, Gladson enfrenta dilema parecido. O governador também deve deixar o cargo até abril e precisa garantir duas coisas ao mesmo tempo: a continuidade da governabilidade e o engajamento da base na construção da candidatura de Mailza à sucessão. Com o atual líder do governo, deputado Manoel Moraes, essa tarefa se mostra cada vez mais difícil.

Moraes quase não ocupa a tribuna para defender o governo e, quando o faz, demonstra dificuldade de argumentação. Em vez de blindar o Executivo, acaba abrindo flancos. Gladson já teve líderes que cumpriram esse papel com eficiência, como Pedro Longo e Michelle Melo, ambos desgastados pela pressão do cargo. Hoje, um nome que circula como alternativa mais consistente é o do deputado Eduardo Ribeiro.

O fato é que 2026 não é um ano qualquer. É ano de eleição, com oposição mobilizada e disposta a explorar cada ruído. E, no Acre, não é preciso um bloco numeroso para causar impacto. Um grupo pequeno, bem articulado e vocal consegue produzir barulho suficiente para ecoar em todo o estado.

É por isso que, tanto na Câmara quanto na Aleac, Bocalom e Gladson precisam de bases sólidas e lideranças capazes de defender seus governos com clareza, ritmo e estratégia. Estejam ou não no cargo nos próximos meses, o jogo já começou.

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