O lançamento de “O Encenador e a Floresta” traz uma nova leitura da obra do dramaturgo, ator e diretor teatral João das Neves. O livro revisita o encontro do artista com os povos indígenas durante os anos de 1986 e 1991, quando viveu no Acre.
A publicação é uma coedição entre a Associação Campo das Vertentes e a Relicário, que reúne textos do autor, incluindo o inédito “Diário de Viagem ao Yurayá”, que fala sobre sua vivência no território Huni Kuin.
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A obra conta com um prefácio de Ailton Krenak e capa ilustrada pelo coletivo Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAHKU).

A obra conta com um prefácio de Ailton Krenak e capa ilustrada pelo coletivo Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAKHU)/Foto: Reprodução
João das Neves foi um dos nomes do teatro brasileiro, vencedor de prêmios como Molière, Bienal Internacional de São Paulo, APCA, Golfinho de Ouro e Quadrienal de Praga.
O dramaturgo também é fundador do histórico Grupo Opinião, em 1964, que passou pela ditadura militar com produções que confrontavam o governo.
Durante o tempo que viveu no Acre, João das Neves conviveu com o povo Huni Kuin e criou o Grupo Poronga.
O dramaturgo João das Neves morreu em 2018, aos 84 anos, em sua casa no município de Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte, por falência de múltiplos órgãos.
Sobre o livro
Esta publicação traz três textos produzidos a partir da vivência de João das Neves no Acre. Em todos, estão presentes as relações entre as artes cênicas e o universo indígena, além do impacto da floresta na trajetória do dramaturgo.
“O Teatro e a Floresta” é um ensaio cujo tema foi tratado por João também em palestras e outras publicações no Brasil, Espanha, Alemanha e México ao longo da década de 1990.
“Como os Kaxinawá descobriram o teatro” conta a história de seu primeiro encontro com os Huni Kuin, tal qual aconteceu em Rio Branco, quando ministrava um curso de teatro na cidade.
O inédito “Diário de Viagem ao Yurayá” é uma obra que se conecta com a linhagem dos viajantes e, ao mesmo tempo, registra, de maneira profunda e minuciosa, o olhar do artista vivenciando a experiência da floresta e da convivência com o povo Huni Kuin, ao longo de três meses viajando pelo Rio Jordão.
