Adufac repudia ofensas de professor durante reunião; ele foi afastado por 60 dias

Entidade manifestou solidariedade a docentes e cobra providências da direção do CFCH e da reitoria da Ufac

Foto: Altino Machado/Amazônia Real

Em nota pública divulgada, nesta quinta-feira (26), nas redes sociais, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac) repudiou a ocorrência de ataques homofóbicos, misóginos e capacitistas feitos pelo professor dr. Mauro Rocha durante reunião do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), realizada no último dia 23 de fevereiro, na Universidade Federal do Acre (Ufac).

No documento, a entidade manifesta “irrestrita solidariedade” às professoras Ana Letícia de Fiori e Roberta Garcia Alves e aos professores Saul Estevam Fernandes e Felipe dos Santos Durante, além de outras pessoas que teriam sido ofendidas e verbalmente violentadas durante a assembleia.

O ContilNet entrou em contato com a assessoria de comunicação da Ufac, que informou que o professor foi afastado das atividades pelo período de 60 dias.

Segundo a associação, as agressões teriam sido proferidas por um docente da instituição, em plena reunião do centro. A Adufac classifica os ataques como “inaceitáveis e criminosos” e afirma que a direção do CFCH e a reitoria não podem permitir que espaços acadêmicos sejam palco de agressões, difamações e calúnias contra docentes.

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A nota aponta ainda que situações semelhantes vêm se arrastando há cerca de dez anos, sem que, conforme a entidade, tenham sido adotadas providências concretas para proteger a integridade física, moral e psicológica das pessoas atingidas. O texto também menciona o caso do professor Francisco Bento da Silva, que teria sido alvo de calúnia e difamação e que, por questões de segurança, passou a evitar participar de reuniões e atividades na presença do suposto agressor.

A diretoria da Adufac considera “gravíssimo” que declarações feitas em assembleia estejam fundamentadas, segundo a nota, em argumentos pseudocientíficos e sem respaldo acadêmico. A entidade reforça que o ambiente universitário deve ser pautado pelo debate científico, respeito mútuo e defesa dos direitos fundamentais.

O documento também relembra que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal equipara a homofobia ao crime de racismo, com base na Lei 7.716/1989, e que, em 2023, a Corte reafirmou que atos de homofobia direcionados a pessoas específicas podem ser enquadrados como injúria racial, sendo crimes inafiançáveis e imprescritíveis.

Até o momento, a reitoria da Universidade Federal do Acre não havia se manifestado publicamente sobre o caso.

Leia a nota da Adufac na íntegra:

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac) vem a público manifestar sua irrestrita solidariedade às docentes Ana Letícia de Fiori, Roberta Garcia Alves e aos docentes Saul Estevam Fernandes e Felipe dos Santos Durante, bem como a todas as pessoas ofendidas e verbalmente violentadas por inaceitáveis e criminosos ataques homofóbicos, misóginos e capacitistas proferidos por um docente desta Instituição Federal de Ensino (IFE), durante a reunião do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), ocorrida no dia 23 de fevereiro de 2026.

A direção do CFCH e a reitoria da Ufac não podem mais permitir que os ambientes de reuniões e salas aula, assim como qualquer espaço interno a esta IFE, sejam palco para agressões homofóbicas e misóginas, bem como difamações e calúnias contra docentes desse Centro, em particular, e da instituição, em geral. As agressões verbais, ocorridas em plena Assembleia de Centro, trazem à tona uma situação que se arrasta há de dez anos sem que nenhuma providência concreta tenha sido adotada para a proteção física, moral e mental das pessoas agredidas. Recentemente, o Professor Francisco Bento da Silva foi alvo de calúnia e difamação e, em nome de sua segurança física e psicológica, tem se negado a participar de reuniões ou outras atividades do CFCH, com a presença do agressor, sistematicamente protegido sob a alegação de problemas de saúde mental.

A diretoria da Adufac considera inadmissível que o ambiente acadêmico, que deveria ser pautado pelo debate científico, pelo respeito mútuo e pela defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, seja palco de agressões que ferem a dignidade e a individualidade de professoras e professores. É gravíssimo que as alegações feitas em plena assembleia estejam fundamentadas em argumentos pseudocientíficos e que não possuem respaldo acadêmico para sustentá-las, sendo puramente fruto de preconceito. Nesse sentido, repudiamos com veemência os atos e palavras homofóbicas, misóginas e capacitistas, as discriminações e a violência moral contra colegas do CFCH. Cabe lembrar que a homofobia é equiparada ao crime de racismo (Lei 7716/1989) por decisão do Supremo Tribunal Federal (ADO 26) desde 2019 – e, em 2023, o mesmo STF reforçou que atos de homofobia cometidos contra pessoas específicas são equiparados à injúria racial – sendo a homofobia um crime inafiançável e imprescritível.

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