A confusão entre os termos “sociopata” e “psicopata” é comum tanto no cotidiano quanto em filmes, séries e no noticiário. Apesar de compartilharem características semelhantes, os dois perfis apresentam diferenças relevantes no comportamento, nas causas, na forma de se relacionar com os outros e até na avaliação clínica e jurídica. Compreender essas distinções é fundamental para reconhecer padrões prejudiciais e se proteger de possíveis criminosos.
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Para esclarecer o tema, o portal BacciNoticias conversou com a Dra. Leninha Wagner, PhD em Neurociências, que detalha os principais pontos que diferenciam psicopatas e sociopatas.
Diferenças decisivas
Segundo a especialista, a diferença central está na forma como cada perfil vivencia a empatia.
“Na psicopatia, há uma ausência profunda e estável de empatia emocional. O psicopata entende intelectualmente o que é certo ou errado, mas não sente isso por dentro. O sofrimento alheio não gera eco emocional”, explica.
De acordo com Leninha, as relações do psicopata tendem a ser frias, calculadas e utilitárias, usadas como meio para atingir objetivos.
Já na sociopatia, a empatia existe, porém é instável.
“O sociopata pode se importar, pode sofrer e sentir culpa, especialmente em relação a pessoas próximas. Mas esse contato emocional se perde em situações de estresse, raiva ou frustração”, afirma.
Em resumo, a especialista sintetiza:
“O psicopata não sente; o sociopata sente, mas não consegue sustentar.”
Fatores de desenvolvimento
Questionada sobre as origens desses comportamentos, Leninha Wagner explica que os fatores também diferem.
Na psicopatia, há forte influência biológica. O cérebro já nasce funcionando de maneira diferente em áreas ligadas à empatia, ao medo e à culpa. Desde a infância, esses indivíduos podem demonstrar frieza emocional, pouca sensibilidade à punição e indiferença ao sofrimento alheio, mesmo em ambientes familiares estruturados.
Na sociopatia, o desenvolvimento costuma estar ligado a fatores ambientais e sociais.
“São histórias marcadas por abandono, violência, humilhação ou ausência de cuidado emocional. A criança aprende a endurecer para sobreviver. Ela sente, mas aprende que sentir dói ou não protege”, explica.
Nesse caso, o comportamento antissocial surge como uma adaptação, e não como ausência de emoção.
Impacto na Justiça
Atualmente, estima-se que 15% a 20% da população carcerária mundial seja composta por psicopatas, índice que também se repete no Brasil. Mas essa distinção pesa para a Justiça?
Segundo a especialista, embora os termos não apareçam explicitamente na legislação, a diferença é considerada na avaliação jurídica.
“O psicopata geralmente sabe exatamente o que está fazendo e, por isso, costuma ser considerado plenamente responsável por seus atos. Ele age com cálculo e frieza”, afirma.
Já o sociopata, segundo Leninha, tende a agir movido por impulsos, emoções intensas e experiências traumáticas.
“Isso não elimina a responsabilidade, mas ajuda a compreender o contexto, o risco e as possibilidades de mudança. Em termos humanos, o psicopata tende a repetir o padrão; o sociopata pode mudar quando o ambiente e o tratamento são adequados.”
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