O Acre chegou em 2026 ao menor número de focos de queimadas dos últimos sete anos. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), verificados nesta sexta-feira (20), apontam que o estado registrou apenas 4 ocorrências até agora, uma queda de 90% em relação a 2025, quando foram contabilizados 40 focos.
Os números não poderiam chegar em um momento tão simbólico. É que, neste sábado (21), celebra-se o Dia Internacional das Florestas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar sobre a importância de todos os tipos de ecossistemas florestais. A data destaca a necessidade de preservar a biodiversidade, combater o desmatamento, regular o clima e promover o desenvolvimento sustentável
O resultado de 2026 representa o melhor desempenho desde 2020 e ocorre após um período de oscilações nos índices, com picos e reduções ao longo dos anos.
Os dados mostram como o cenário variou até chegar ao patamar atual:
- 2020: 17 focos
- 2021: 8 focos
- 2022: 27 focos
- 2023: 9 focos
- 2024: 19 focos
- 2025: 40 focos
- 2026: 4 focos (menor índice da série)
A queda expressiva acontece logo após o maior número da série recente, registrado em 2025, indicando uma mudança significativa no controle das ocorrências.
Monitoramento e presença em campo
O desempenho está diretamente ligado ao uso de tecnologia e à atuação coordenada entre órgãos ambientais e de segurança. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, o trabalho tem se baseado em inteligência e integração institucional.

Leonardo Carvalho enfatiza importância da combinação entre monitoramento tecnológico, integração institucional e presença efetiva em campo . — Foto: Uêslei Araújo/Sema
“Estamos trabalhando com inteligência, dados em tempo real e integração entre as instituições. Essa atuação coordenada tem sido fundamental para reduzir o desmatamento, proteger nossos recursos naturais e, ao mesmo tempo, garantir que o Acre avance em um modelo de desenvolvimento sustentável, que gere oportunidades priorizando a preservação ambiental”, afirmou.
A estratégia inclui o uso de sistemas de alerta por satélite, como DETER e PRODES, que permitem identificar áreas de risco com rapidez e direcionar as equipes de fiscalização.
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Operações ampliam controle
A atuação em campo também ganhou escala com operações específicas voltadas ao combate aos ilícitos ambientais. Um exemplo é a Operação Amburana, que atua sobre áreas com alertas recentes e denúncias, com apoio terrestre e aéreo.
Em uma das etapas, equipes fiscalizaram dezenas de áreas críticas, resultando em embargos, apreensões de madeira ilegal e aplicação de multas milionárias. A presença em regiões de difícil acesso tem sido considerada estratégica para conter novas ocorrências.
O recuo nos focos de queimadas ocorre no mesmo contexto em que o estado apresentou redução no desmatamento no ciclo 2024–2025, ficando abaixo da meta estabelecida no planejamento ambiental.
