Uma cena que remete às tradições mais antigas da Amazônia chamou atenção neste sábado (21), nas proximidades do seringal Baturité, às margens do rio Iaco. Moradores da região se uniram em um verdadeiro mutirão para colocar nas águas uma embarcação de grande porte recém-construída, em um esforço que impressiona tanto pela organização quanto pela força coletiva.
Para vencer o desafio, cerca de 80 homens participaram da ação, enfrentando o peso e as dificuldades do terreno até conseguir conduzir o barco até o leito do rio. As imagens registradas mostram o momento em que a comunidade, em sintonia, empurra e orienta a descida da estrutura, evidenciando um trabalho conjunto que exige técnica, resistência e cooperação.
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A embarcação, construída de forma artesanal por Pedro Ferreira Diniz, possui dimensões robustas, com mais de 20 metros de comprimento e quase cinco metros de largura, além de capacidade para transportar dezenas de toneladas. O feito reforça a importância do conhecimento tradicional na construção naval amazônica, ainda muito presente em comunidades ribeirinhas.
Aos 90 anos, e mesmo enfrentando problemas de saúde, Pedro conseguiu concluir o projeto, reafirmando a resistência e a habilidade de quem dedica a vida a esse tipo de trabalho. A construção e o lançamento do barco simbolizam não apenas um meio de transporte, mas também a continuidade de saberes que atravessam gerações.
Mais do que um simples lançamento, o momento se transforma em um retrato da união comunitária e da relação direta entre o homem amazônico e os rios, que seguem sendo fundamentais para a mobilidade e a sobrevivência na região.
