Um curso voltado ao treinamento e manejo de cães de trabalho está sendo realizado no Vale do Juruá, reunindo agentes de segurança e interessados na área cinófila em Cruzeiro do Sul. A capacitação envolve técnicas utilizadas no preparo de cães para atividades como faro, detecção de drogas, busca, guarda e proteção.
De acordo com o capitão da reserva da Polícia Militar do Acre, Cledson, a iniciativa também conta com a participação do Canil Terra do Juruá, projeto que atua no treinamento de cães na região.

Treinamento apresenta métodos internacionais de adestramento e reforça importância do manejo responsável de cães/ Foto: ContilNet
Segundo ele, o objetivo é ampliar as técnicas utilizadas no trabalho com os animais, trazendo métodos aplicados por forças policiais em diferentes partes do mundo.
“Hoje a gente já trabalha com cães voltados para o faro, principalmente na detecção de drogas e armas de fogo. Mas resolvemos trazer um novo tipo de treinamento para a área cinófila, que é o cão de busca, guarda e proteção, baseado na técnica do Mondioring”, explicou.
O Mondioring é um método internacional de treinamento que prepara cães para situações mais próximas da realidade enfrentada por equipes de segurança. A técnica permite que o animal atue tanto em patrulhamento quanto na proteção da equipe policial.
“A ideia é ter um cão que trabalhe junto com a equipe, ajudando na patrulha e também garantindo a segurança da guarnição”, destacou o capitão.
O policial penal Arisson Pinheiro de Lima, que trabalha com cães há cerca de cinco anos, também participou do seminário voltado ao adestramento e manejo responsável de cães. Formado em cinotecnia e com cursos de especialização na área, ele ressaltou a importância da capacitação para fortalecer o trabalho desenvolvido na região.
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Segundo ele, a iniciativa de trazer um instrutor para ministrar o treinamento surgiu devido às dificuldades e aos altos custos para buscar capacitação fora do estado.
“O objetivo é melhorar o trabalho com os animais e também mostrar para a sociedade que o adestramento não tem relação com maus-tratos. Pelo contrário, ele melhora a convivência entre o cão e o proprietário”, explicou.
Durante o evento, também foi apresentado o Teste de Cão Sociável (TCS), avaliação utilizada em outras regiões do país para verificar o comportamento e o nível de socialização dos animais. A expectativa é que, em um próximo encontro, o teste possa ser aplicado também em Cruzeiro do Sul.
As atividades contaram ainda com a participação do adestrador Carlos dos Anjos, natural de Campinas. O especialista atua com adestramento e comportamentalismo animal em várias regiões do país e é criador de cães das raças belga malinois e pastor holandês, conhecidas mundialmente pelo desempenho em operações de segurança.
Durante o treinamento, Carlos explicou que os métodos utilizados no trabalho com cães são baseados em recompensa, e não em agressividade.
“Existe um mito de que o cão que encontra entorpecentes precisa estar viciado ou ser agressivo, mas isso não é verdade. O trabalho é feito por recompensa. O animal identifica o odor e recebe algo que gosta, como comida ou uma bolinha”, afirmou.
Ele também destacou que as técnicas ensinadas podem ser aplicadas não apenas por forças de segurança, mas também por tutores que desejam melhorar o comportamento de seus animais.
“Liderança não é agressão. Os cães precisam entender regras, como horário para comer, onde fazer suas necessidades e qual é o espaço deles. Um cão de guarda, por exemplo, não precisa ser agressivo, precisa ser treinado”, concluiu.
