Enamed: punições a cursos com notas baixas têm impacto limitado nas ações de educação
Cursos com nota 1 e menos de 30% de alunos proficientes estão proibidos de abrir novas vagas imediatamente
Felipe Moreira
18/03/2026 10h45
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Atualizado 7 minutos atrás
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(Foto: Karolina Grabowska/Pexels)
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O Ministério da Educação (MEC) publicou, na terça-feira (17), medidas contra 57 cursos de medicina — sendo 53 privados — que obtiveram notas 1 ou 2 (insatisfatórias) no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). As sanções variam de acordo com o desempenho dos cursos, medido pela proporção de alunos concluintes considerados proficientes.
Cursos com nota 1 e menos de 30% de alunos proficientes estão proibidos de abrir novas vagas imediatamente. Já aqueles com desempenho entre 30% e 40% deverão reduzir em 50% o número de vagas autorizadas. Para cursos com nota 2, a redução obrigatória é de 25% quando a taxa de proficiência fica entre 40% e 50%, enquanto aqueles entre 50% e 60% não poderão solicitar aumento de vagas.
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Além disso, todos os cursos privados com notas 1 e 2 ficarão sob supervisão e não poderão expandir vagas nem firmar novos contratos em programas federais como Fies e Prouni.
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O Goldman Sachs avaliou que as sanções aplicadas pelo Ministério da Educação ao ensino médico no Brasil têm impacto levemente negativo para o setor. Embora as sanções já fossem esperadas após a divulgação dos resultados do Enamed em janeiro, a implementação imediata surpreendeu o mercado, que esperava efeitos apenas no próximo ciclo de ingressos.
O banco estima impacto nas empresas sob cobertura, com redução de cerca de 3% das vagas da Cogna (COGN3), 5% da Ânima (ANIM3), 5% da Afya e 15% da Yduqs (YDUQ3), o que deve afetar ao menos o ciclo de ingressos do segundo semestre de 2026. O primeiro semestre já está praticamente concluído.
Além disso, o Goldman Sachs destaca que seguirá monitorando possíveis efeitos indiretos, como o impacto negativo da repercussão do tema na mídia sobre a demanda futura por cursos de medicina.
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O Morgan Stanley, por sua vez, avalia que as sanções impostas ao setor de educação médica já estavam em linha com anúncios anteriores e, portanto, com suas projeções para 2026.
O banco estima um impacto de 0% a 1% na receita no primeiro ano, considerando que as penalidades permaneçam por um ano completo, o equivalente a dois ciclos de captação. As companhias mais expostas seriam Afya (1,0%), Yduqs (0,8%) e Ser Educacional (SEER3; 0,8%), enquanto a Anima Educação (0,4%) deve ter impacto moderado. Para Cogna, Cruzeiro e Vitru (VTRU3), o efeito tende a ser próximo de zero.
Como o ciclo de captação do primeiro semestre de 2026 já foi concluído — e representa a maior parte das vagas do ano — o impacto em 2026 deve ser limitado. Ainda assim, o Morgan Stanley alerta que efeitos acumulados no longo prazo podem ser relevantes caso as instituições não consigam reverter as penalidades nos anos seguintes.
Além disso, o Morgan Stanley destaca que cursos de medicina geralmente têm margens mais elevadas, o que implica que o impacto sobre EBITDA e lucro pode ser maior do que o efeito estimado de 0% a 1% sobre a receita no primeiro ano.
Cogna
O Goldman Sachs tem recomendação de compra para Cogna, com preço-alvo de R$ 5, baseado em modelo de fluxo de caixa livre para a firma (FCFF) em 10 anos, considerando custo médio ponderado de capital (WACC) de 12,7% e crescimento na perpetuidade de 4,5%.
Entre os riscos de queda, o Goldman Sachs destaca a geração de caixa operacional abaixo do esperado, devido a menor eficiência na cobrança em programas de educação profissional e alunos pagantes, maior evasão ou menor captação no ensino a distância, deterioração inesperada da inadimplência e possíveis impactos negativos de um novo marco regulatório para o ensino digital.
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Ânima
Para a Anima Educação, a recomendação do Goldman também é de compra, com preço-alvo de R$ 5,50, baseado em FCFF de 10 anos, WACC de 15% e crescimento na perpetuidade de 3%.
Apesar da perspectiva de geração de caixa, o banco ressalta que a alavancagem ainda é elevada frente aos pares, o que torna os juros altos um risco relevante. No operacional, o principal risco é uma captação mais fraca que o esperado, o que pode aumentar a volatilidade das ações e pressionar a rentabilidade.
Yduqs
O Goldman Sachs manteve recomendação neutra para Yduqs, com preço-alvo de R$ 15, também com base em FCFF de 10 anos, WACC de 11% e crescimento na perpetuidade de 3,5%.
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Entre os potenciais de alta, estão uma captação ou ticket médio acima do esperado nos segmentos presencial e EAD, além de melhor geração de caixa operacional. Já os riscos incluem aumento da inadimplência, maiores gastos com marketing, geração de caixa abaixo do esperado e cortes de juros mais lentos, o que pode pressionar as estimativas de lucro.
Afya
Para a Afya, a recomendação do Goldman é de venda, com preço-alvo de US$ 16, baseado em FCFF de 10 anos, WACC de 12% e crescimento na perpetuidade de 4%.
O principal potencial de alta estaria ligado a eventuais aquisições (M&A), que poderiam acelerar o crescimento da receita e expandir a rentabilidade por meio de ganhos de sinergia, embora esse cenário ainda não esteja incorporado nas estimativas do banco.
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Fonte: InfoMoney



