Esquema impunha metas e contratos de silêncio a operadores ligados ao Careca do INSS

Apuração aponta pressão por inclusão de aposentados em associações com cobranças diretas nos benefícios

Esquema impunha metas e contratos de silêncio a operadores ligados ao Careca do INSS
Antonio Carlos Camilo Antunes/ Foto: Reprodução

Funcionários de centrais de atendimento vinculadas ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, trabalhavam sob pressão para alcançar metas elevadas de inclusão de aposentados e pensionistas em associações que realizavam cobranças mensais diretamente nos benefícios previdenciários. A estrutura faz parte de um esquema investigado pela Polícia Federal.

De acordo com a apuração, operadores eram orientados a registrar diariamente centenas de novas adesões. As entidades envolvidas realizavam descontos automáticos nos pagamentos feitos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, mecanismo que passou a ser analisado pelos investigadores após indícios de registros recorrentes nos sistemas.

Relatórios técnicos indicam que os objetivos estabelecidos para as equipes eram elevados. Em alguns casos, a expectativa de desempenho chegava a variar entre 150 e 200 novos descontos por dia, volume considerado atípico pelos responsáveis pela investigação.

Contratos impunham obrigação de silêncio

Antes de iniciar as atividades, trabalhadores eram obrigados a assinar documentos que estabeleciam regras rígidas de confidencialidade. Os contratos determinavam que qualquer dado acessado durante o trabalho — incluindo informações internas e registros de beneficiários — deveria permanecer em sigilo mesmo após o fim do vínculo profissional.

O prazo estipulado nos documentos chegava a cinco anos. As cláusulas também advertiam que a divulgação de dados poderia gerar danos à empresa responsável pela operação.

O material foi revelado em reportagem publicada pelo portal Metrópoles, que teve acesso a trechos dos contratos utilizados nas empresas ligadas ao esquema.

Investigadores avaliam novos desdobramentos

Durante os depoimentos coletados na investigação, a Polícia Federal destacou que termos de confidencialidade firmados em contratos privados não impedem a colaboração com autoridades. Pela legislação brasileira, o dever de fornecer informações em investigações criminais se sobrepõe a acordos de sigilo.

Outro ponto em análise envolve a possibilidade de um acordo de colaboração premiada com Antonio Carlos Camilo Antunes. Segundo fontes ligadas à apuração, qualquer negociação dependeria da apresentação de provas capazes de confirmar eventuais declarações do investigado.

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Nos bastidores, investigadores avaliam que uma eventual delação poderia trazer novos elementos para o caso, principalmente se surgirem menções a personagens conhecidos do cenário político, como Fábio Luís Lula da Silva.

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