Natura: ação salta 8,5% após 4T com bom controle de despesas, mas isso é sustentável?

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As ações da Natura (NATU3) foram destaque de alta do Ibovespa nesta terça-feira (17) após os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) divulgados na noite da véspera. Os papéis chegaram a subir mais de 10%, mas fecharam com ganhos de 8,46%, a R$ 9,36, ainda a maior alta do Ibovespa no dia.

A companhia apurou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de R$ 978 milhões entre outubro e o fim de dezembro, um crescimento de 57,2% sobre desempenho de um ano antes, com quedas de mais de 20% nas despesas operacionais e com vendas e apesar da queda de 12% no faturamento.

Analistas, em média, esperavam que a fabricante de cosméticos que há anos vem se reestruturando após uma série de aquisições internacionais que tiveram de ser revertidas apresentasse Ebitda de R$ 741 milhões no quarto trimestre, segundo dados da LSEG.

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A XP Investimentos ressalta que a Natura reportou resultados melhores no 4T, com receita em linha e pressionada, mas forte surpresa positiva no Ebitda com despesas de vendas mais controladas.

“Como esperado, a Natura apresentou dinâmica fraca de receita, à medida que o macro continua a pesar sobre Brasil/Argentina e a Onda 2/câmbio pressionou a América Latina Hispânica”, avaliam os analistas de varejo da casa.

No entanto, a companhia nos surpreendeu positivamente em relação às economias nas despesas de vendas provenientes de medidas táticas de eficiência e dos ganhos da Onda 2 na Hispana, o que levou a uma surpresa positiva de 22% no Ebitda ajustado.

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A XP teve uma surpresa negativa com uma provisão sobre os recebíveis da TBS, embora tenha sido não-caixa e não tenha sido considerada no modelo dos analistas de qualquer forma.

Olhando adiante, a companhia reiterou seu compromisso em entregar expansão da margem Ebitda em 2026, acima dos 14,1% reportados em 2025, o que é superior à sua margem Ebitda de 13,7% para 2026.

Segundo a administração, isso deve ser alcançado por meio dos ganhos da Onda 2 na Hispana, de economias decorrentes do seu forte ajuste em G&A (25% do headcount administrativo até o 1T) e de aceleração de crescimento na Hispana e no Brasil, embora este último permaneça pressionado no 1T – um comentário que pode contribuir para as preocupações dos investidores em torno de uma retomada do crescimento na Natura Brasil.

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“Na nossa visão, este trimestre representa um marco na história da Natura, finalmente deixando para trás resultados obscurecidos por operações descontinuadas. Mantemos nossa recomendação de compra”, ressaltou a XP.

O Ebitda da Natura ficou 9% acima da projeção do Bradesco BBI, que também destaca o forte controle de despesas comerciais e administrativas.

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Apesar da receita ainda enfraquecida —queda de 12% no comparativo anual, pressionada pela desaceleração no Brasil e pelos efeitos cambiais na América Hispânica —o corte de gastos variáveis, ajustes táticos em marketing e os primeiros ganhos de eficiência da Onda 2 resultaram em uma relação de despesas muito melhor que o projetado, elevando o EBITDA ajustado para R$ 978 milhões.

A companhia também cumpriu seus compromissos para o ano fiscal de 2025, entregando expansão de margem, redução de custos de transformação e manutenção da alavancagem dentro da faixa considerada ideal, após gerar R$ 567 milhões de caixa no trimestre. Para 2026, a empresa sinalizou um 1T26 ainda pressionado, porém com tendência de recuperação gradual das vendas e expansão de margem ao longo do ano, apoiadas pela maturação das iniciativas de eficiência e normalização dos investimentos.

Desta forma, o Bradesco BBI já acreditava que o resultado devesse gerar uma reação positiva no mercado, dado que o Ebitda do 4T25 veio sólido e acima das expectativas mesmo em um ambiente de receita já conhecido como desafiador.

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“Ainda assim, vemos pontos de atenção relevantes: as tendências de receita seguem frágeis —especialmente no Brasil, onde a companhia indicou um início de 2026 ainda fraco —e parte dos ganhos de eficiência registrados no trimestre não deve se repetir, o que pode pressionar a evolução futura de despesas e margens”, avaliam os analistas do BBI.

Assim, embora reconheça o mérito da gestão em cumprir compromissos de margem e alavancagem em 2025, entende que a dinâmica operacional no curto prazo ainda exigirá cautela, especialmente diante de possíveis efeitos de desalavancagem operacional e maiores gastos com remuneração variável no início de 2026.

O Morgan Stanley, na mesma linha, avalia positivamente o controle de custos e esforços de simplificação, mas questiona a sustentabilidade de lucros desproporcionais em meio à queda de receita. Assim, segue com recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra) para NATU3. Já o BBI tem recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 17.

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Fonte: InfoMoney

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