“Super quarta” e geopolítica: como proteger seu patrimônio no olho do furacão
De um lado, o Copom e o Fed tentam domar a inflação; de outro, o preço do barril de petróleo flerta com os US$ 120 e o dólar sofre pressões globais de aversão ao risco
Dai Gubert
18/03/2026 11h36
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Atualizado 10 minutos atrás
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Vivemos um momento em que a planilha de Excel do analista de investimentos encontra a realidade imprevisível dos mapas de guerra. Para o investidor de varejo, a sensação é de caminhar em terreno instável. De um lado, o Copom e o Fed tentam domar a inflação; de outro, o preço do barril de petróleo flerta com os US$ 120 e o dólar sofre pressões globais de aversão ao risco.
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O peso da geopolítica no seu bolso
O conflito entre EUA e Irã não é apenas uma notícia internacional; ele é um vetor direto de inflação. Com o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um terço do petróleo mundial, o custo da energia dispara. Para o Brasil, isso significa uma pressão adicional sobre o IPCA, o que retira do nosso Banco Central o espaço para cortes agressivos na taxa Selic.
Se antes esperávamos um ciclo de afrouxamento monetário mais robusto, a realidade atual de “juros altos por mais tempo” parece ser o novo mantra. A expectativa para esta reunião do Copom é de cautela extrema, possivelmente mantendo a Selic no patamar elevado de 15% ou realizando um corte simbólico de apenas 0,25 p.p., muito aquém do que o mercado desejava no início do ano.
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O dilema do Fed e o dólar global
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve enfrenta um cenário de “estagflação” no horizonte. O custo da guerra e os preços de energia podem forçar o BC americano a manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% por um período prolongado para evitar que as expectativas de inflação se desancorem.
Para o investidor brasileiro, isso resulta em um dólar pressionado. Historicamente, em momentos de guerra, o mundo busca refúgio na moeda americana e nos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries). Mesmo que o Brasil seja um exportador de commodities, a incerteza global costuma punir mercados emergentes no curto prazo.
Onde Alocar? Estratégias para o momento de incerteza
Em períodos de guerra e juros altos, a regra de ouro é: priorize a liquidez e a proteção contra a inflação.
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1. Renda Fixa Pós-Fixada: Sua Âncora
Com a Selic estacionada em patamares elevados (15% ao ano), o custo de oportunidade de sair da renda fixa é altíssimo. Títulos atrelados ao CDI ou o próprio Tesouro Selic continuam sendo o porto seguro. Eles oferecem rentabilidade real robusta com baixa volatilidade, permitindo que você tenha caixa para aproveitar oportunidades futuras.
2. Proteção contra o IPCA
O risco de um choque de oferta no petróleo é real. Títulos de renda fixa indexados à inflação (como o Tesouro IPCA+) são fundamentais. Eles garantem que seu poder de compra seja preservado, independentemente do repasse da alta dos combustíveis para os preços de consumo.
3. Diversificação Internacional e Dólar
Se você ainda não tem exposição global, o momento exige cautela na entrada, mas reforça a necessidade de ter ativos dolarizados. Fundos cambiais ou investimentos diretos em ações defensivas no exterior (setores de saúde e utilidade pública) ajudam a equilibrar perdas de uma eventual desvalorização do real.
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4. Commodities e Energia
Setores ligados ao petróleo e gás podem atuar como um “hedge” (proteção) natural. Empresas do setor de energia tendem a se beneficiar da alta das commodities, compensando o impacto negativo que o combustível caro causa no restante da sua carteira.
Conclusão: Disciplina acima da narrativa
O segredo para atravessar março de 2026 não é tentar prever o próximo míssil ou a vírgula do comunicado do Fed, mas sim manter uma carteira diversificada que não dependa de um único cenário. O prêmio de risco no Brasil está elevado, e o investidor paciente, que mantém a disciplina nos aportes e não se deixa levar pelo pânico dos títulos de jornais, sairá deste período com um patrimônio mais resiliente.
A incerteza é o preço que se paga pelo retorno. Certifique-se apenas de que sua exposição ao risco é compatível com o seu sono. Finanças comportamentais também faz parte da alocação.
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Dai Gubert
Dai Gubert é sócia da Manchester Investimentos e especialista em investimentos, com 25 anos de experiência em instituições como Unibanco, Citibank e Safra. Empreendedora e palestrante, é idealizadora do projeto Endinheirando Mulheres, que traduz finanças sob a ótica feminina, e colunista da Rádio CBN Florianópolis no quadro Descomplicando as Finanças.
Reconhecida como Embaixadora XP Investimentos e Embaixadora Antonietas da NSC, destaca-se pela gestão de relacionamentos e carteiras com sensibilidade e estratégia. Na Manchester, escritório credenciado à XP, segue ajudando pessoas a alcançarem seus objetivos financeiros e liderando um time de alta performance.
Fonte: InfoMoney
