Tenente-coronel é preso suspeito de matar a esposa PM e tentar forjar suicídio em SP
O tenente-coronel é suspeito de matar a esposa, também policial militar, Gisele Alves Santana, em apartamento na região do Brás, no Centro de São Paulo
Karol Gomes
18/03/2026 às 10:42
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A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto (Foto: Reprodução)
O tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3), no interior de São Paulo, após ser apontado como suspeito de matar a própria esposa, também integrante da corporação, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em apartamento no mês passado.
A prisão de Geraldo Leite Rosa Neto ocorreu por volta das 8h, quando equipes da Polícia Civil e da Corregedoria da PM se dirigiram ao apartamento dele, localizado na região central de São José dos Campos. No local, o oficial foi encontrado e levado sob custódia. A corporação confirmou que ele será encaminhado ao 8º Distrito Policial, na capital paulista, onde deve prestar depoimento e ter a acusação formalizada.
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Polícia chega ao apartamento de tenente-coronel para cumprir mandado de prisão por morte de PM GiseleFoto: Andressa Lorenzetti/TV Vanguarda
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anosFoto: Reprodução
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa NetoFoto: Reprodução
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.Foto: Reprodução
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Após os trâmites iniciais, o investigado será submetido a exames periciais e, na sequência, transferido para o Presídio Militar Romão Gomes. A expectativa é que o Inquérito Policial Militar seja concluído em breve.
Polícia descarta suicídio
A prisão foi solicitada à Justiça na terça-feira (17/3), com respaldo do Ministério Público e da Corregedoria da PM, e autorizada pela Justiça Militar. A decisão foi baseada em novos laudos da Polícia Técnico-Científica que trouxeram elementos considerados decisivos para o avanço das investigações.
Entre os pontos analisados estão o trajeto do projétil que atingiu a vítima e a profundidade das lesões encontradas. A partir dessas evidências, a autoridade policial concluiu que a hipótese de suicídio não se sustenta. Os exames também indicaram que Gisele não estava grávida nem sob efeito de substâncias, mas revelaram a presença de manchas de sangue em diferentes cômodos do imóvel.
Mesmo com a conclusão de diversos laudos, que somam dezenas de páginas, a investigação ainda aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística para esclarecer totalmente a dinâmica do disparo ocorrido há cerca de um mês.
Entenda o caso
O caso aconteceu na manhã de 18 de fevereiro. O corpo da policial chegou a ser exumado, e o laudo necroscópico apontou ferimentos no rosto e no pescoço. Inicialmente tratado como suicídio, o episódio passou a ser investigado como possível feminicídio após decisão judicial.
A defesa do tenente-coronel mantém a versão de que a morte foi provocada pela própria vítima e afirma aguardar o encerramento das perícias. Já os familiares de Gisele contestam essa hipótese e defendem que ela foi assassinada.
O advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, afirmou que “desde o início a família não acreditou que a Gisele poderia ter cometido suicídio, no primeiro contato na delegacia a mãe disse isso em depoimento e nós buscamos demonstrar o perfil do coronel. A gente aguarda agora que ele responda, que ele seja denunciado formalmente pelo Ministério Público, seja processado, vá a júri e seja condenado. Isso é o que espera a família”.
Por outro lado, a defesa do oficial questiona a competência da Justiça Militar para conduzir o caso e informou que pretende levar a discussão ao Tribunal do Júri. O advogado Eugênio Malavasi sustenta que o processo deve tramitar na Justiça comum.
Visitas na véspera da prisão
Na véspera da prisão, o tenente-coronel recebeu a visita de um homem em seu prédio residencial, no bairro Jardim Augusta. Segundo apuração da TV Vanguarda, o visitante teria ligação com uma igreja evangélica, mas não comentou o encontro com a imprensa. Imagens registraram o momento em que o policial desce até a portaria para falar rapidamente com o visitante antes de ambos deixarem o local.
Problemas no relacionamento
Mensagens atribuídas à vítima, encaminhadas a uma amiga e divulgadas pela defesa da família, indicam que ela enfrentava dificuldades no relacionamento. Em um dos trechos, Gisele afirma: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata”. Em depoimento, a mãe da policial relatou que a filha vivia sob um relacionamento abusivo, descrevendo o oficial como controlador e agressivo.
Os laudos periciais também identificaram lesões no rosto e no pescoço da vítima e apontaram que o disparo foi efetuado à queima-roupa. Além disso, não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos da policial, o que enfraquece a hipótese inicial de suicídio.
Defesa do tenente-coronal afirma ter sido suícidio
Mesmo diante desses elementos, a defesa do tenente-coronel segue sustentando que Gisele tirou a própria vida. Em declaração anterior, o advogado afirmou: “A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio”. Ele acrescentou ainda: “E isso será comprovado de forma cristalina ao final da investigação”.
Em contraponto, o representante legal da família reforçou a convicção de que houve crime. “Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe à polícia provar”, declarou.
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Fonte: Portal Leo Dias
